IA Brasil Monitor do PBIA

Eixos do PBIA

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O PBIA é estruturado em eixos temáticos que organizam os programas e ações.

Eixo 1: Infraestrutura e Desenvolvimento de IA

Programa Nacional de Infraestrutura para IA • Ação 1: Supercomputador de IA Aquisição de supercomputador especializado – Top 5 Mundial. » Desafio: ampliar significativamente a capacidade de processamento de alto desempenho do Brasil, essencial para pesquisas avançadas em múltiplas áreas científicas, desenvolvimento tecnológico e inovação. » Meta: atualização do supercomputador Santos Dumont no LNCC, para que esteja entre os cinco com maior capacidade de processamento da lista TOP500, em cinco anos. » Impacto esperado: realização de maior volume de pesquisas que demandem computação de alto desempenho e uso de IA, promovendo o avanço em P&D de soluções para o bem- estar da sociedade por meio de inovações e novas startups. » Recursos (2024-2028): R$ 1.800 milhões - Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT)-não reembolsável, Petrobras e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). » Componentes da ação: investimentos em curso - Petrobras e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) - e novos investimentos de ampliação do LNCC. • Ação 2: Ampliação da capacidade de processamento dos Centros Nacionais de Processamento de Alto Desempenho (Cenapads) Compra de supercomputadores para os centros de supercomputação regionais. » Desafio: ampliar e melhorar a distribuição regional da capacidade de processamento de alto desempenho do Brasil, essencial para pesquisas avançadas em múltiplas áreas científicas, desenvolvimento tecnológico e inovação. » Meta: ampliação da capacidade dos cinco Cenapads, distribuídos pelas cinco regiões do País, em dois anos. » Impacto esperado: realização de maior volume de pesquisas que demandem computação de alto desempenho, promovendo o avanço em P&D de soluções para o bem-estar da sociedade por meio de inovações e novas startups. [PAGE 70] 68 » Recursos (2024-2028): R$ 125 milhões (FNDCT-não reembolsável). » Componentes da ação: iniciativa única. • Ação 3: Redes de conexão de alta velocidade para supercomputação Ampliação do acesso a supercomputadores, com investimentos em equipamentos de conectividade (p.ex., roteadores e firewalls) e infraestrutura de conexão. » Desafios: conectar em rede e garantir o acesso aos supercomputadores brasileiros. » Meta: interligação de todos os centros de supercomputação brasileiros com redes de alta velocidade, até 2028. » Impacto esperado: realização do maior volume de pesquisas que demandem computação de alto desempenho, promovendo o avanço em P&D de soluções para o bem-estar da sociedade por meio de inovações e novas startups. » Recursos (2024-2028): R$ 52,4 milhões (FNDCT-não reembolsável e Petrobras). » Componentes da ação: investimentos em curso (Petrobras) e nova iniciativa. • Ação 4: Pró-Infra IA Fomento à aquisição, instalação e modernização de infraestrutura de IA nas ICT brasileiras. » Desafio: expandir e modernizar a capacidade computacional para IA em ICT, incluindo data centers e processadores especializados, em particular aceleradores de aprendizado de máquina. » Meta: apoio a 25 projetos em 5 anos. » Impactos esperados: aumento da capacidade de PD&I em IA por ICT no Brasil; e redução das assimetrias regionais em infraestrutura de IA. » Recursos (2024-2028): R$ 250 milhões (FNDCT-não reembolsável). » Componentes da ação: iniciativa única. • Ação 5: Parcerias internacionais para desenvolvimento de nós de supercomputador e aceleradores de aprendizado de máquina Estabelecimento de parcerias para desenvolvimento nacional de nós de supercomputador e aceleradores de aprendizado de máquina. » Desafio: reduzir ou eliminar a dependência tecnológica externa em componentes críticos para IA. [PAGE 71] IA para o bem de todos Plano Brasileiro de Inteligência Artificial 69 » Metas: estabelecimento de, ao menos, duas parcerias em 12 meses; desenvolvimento de aceleradores de processamento de máquina em 24 meses; e desenvolvimento de dois racks completos em 36 meses. » Impactos esperados: desenvolvimento de capacidade tecnológica nacional e redução da dependência externa em hardware crítico para IA (p.ex., aceleradores de aprendizado de máquina); aceleração do desenvolvimento científico e tecnológico através de colaborações internacionais; e fortalecimento da posição do Brasil como parceiro global em P&D de IA. » Recursos (2024-2028): R$ 765 milhões (FNDCT-reembolsável e não-reembolsável, setor privado e organismos internacionais). » Componentes da ação: iniciativa única. • Ação 6: Parcerias internacionais para compartilhamento de infraestrutura de P&D em IA Compartilhamento da infraestrutura brasileira de IA com outros países em desenvolvimento. » Desafio : promover o acesso à infraestrutura de ponta por países em desenvolvimento, especialmente da América Latina, Caribe e África. » Metas: ampliação significativa da capacidade de conexão da Rede Clara e da Rede Scalac em 24 meses; apoio a 30 projetos colaborativos que utilizem a infraestrutura brasileira de IA, até 2028. » Impactos esperados: desenvolvimento de capacidade tecnológica nacional e redução da dependência externa em hardware crítico para IA (p.ex., aceleradores de aprendizado de máquina); aceleração do desenvolvimento científico e tecnológico através de colaborações internacionais; e fortalecimento da posição do Brasil como parceiro global em P&D de IA. » Recursos (2024-2028): R$ 50 milhões (FNDCT-não reembolsável). » Componentes da ação: iniciativa única. Programa de Sustentabilidade e Energias Renováveis para IA • Ação 7: Pró-Infra IA Sustentável Fomento à implementação de infraestrutura energética sustentável e eficiente para data centers (fontes renováveis; tecnologias de resfriamento; equipamentos com boa relação de desempenho por energia; software otimizado para racionalizar consumo de energia). » Desafio: implementar infraestrutura de energia renovável e uso sustentável de recursos para suportar o crescimento da IA no Brasil, aproveitando a matriz energética limpa do País. » Meta: apoio a 42 projetos em cinco anos. [PAGE 72] 70 » Impactos esperados: redução da pegada de carbono da infraestrutura de IA no Brasil; e aumento da eficiência energética em instalações de computação de alto desempenho. » Recursos (2024-2028): R$ 500 milhões (FNDCT-não reembolsável). » Componentes da ação: iniciativa única. Programa de Estruturação do Ecossistema de Dados e Software para IA • Ação 8: Desenvolvimento de Pilha de Software para IA Apoio ao desenvolvimento de todas as camadas de software necessárias para aplicações de IA. » Desafio : especificar e desenvolver pilha de software nacional para IA, que busque ser interoperável e integrada a pilhas de software livres e abertas existentes, visando a otimizar o desempenho e promover independência tecnológica. » Meta: desenvolvimento de uma pilha de software nacional completa para IA em 12 meses. » Impactos esperados: soberania tecnológica; melhoria na segurança e privacidade de dados; otimização de recursos; e desenvolvimento econômico, inovação e competitividade. » Recursos (2024-2028): R$ 292,5 milhões (FNDCT-não reembolsável e setor privado). » Componentes da ação: iniciativa única. • Ação 9: IA baseada em dados nacionais (LLM em português) Fomento à curadoria de conjuntos de dados nacionais e apoio ao desenvolvimento de modelos fundacionais, em particular modelos de linguagem de grande escala (LLM), especializados em português. » Desafio: criar e aprimorar bases de dados nacionais para treinamento de IA, reduzindo a dependência externa e contemplando a diversidade e as especificidades do Brasil. » Metas: ampliação da oferta de conjuntos de dados nacionais curados para treinamento; e construção de um modelo LLM robusto em termos de segurança para português em 12 meses. » Impactos esperados: redução da dependência externa; e ampliação do alinhamento dos modelos de IA às normas e especificidades nacionais. » Recursos (2024-2028): R$ 1,1 bilhão (FNDCT-reembolsável, não reembolsável e setor privado). » Componentes da ação: iniciativa única. [PAGE 73] IA para o bem de todos Plano Brasileiro de Inteligência Artificial 71 Programa de Pesquisa e Desenvolvimento em IA • Ação 10: Fomento às atividades de P&D em IA Lançamento de editais e iniciativas de financiamento para projetos de P&D em IA, inclusive temáticos (educação, saúde, meio ambiente e economia criativa, dentre outras). » Desafio: impulsionar a P&D multidisciplinar em IA no Brasil, integrando diferentes áreas do conhecimento. » Meta: metas em definição, específicas de cada iniciativa - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) -. » Impactos esperados: avanço significativo na produção científica e tecnológica em IA aplicada no Brasil, com soluções inovadoras para desafios naciona; e formação de uma nova geração de pesquisadores altamente qualificados em inteligência artificial. » Recursos (2024-2028): R$ 553 milhões (FNDCT/CNPq e Capes). » Componentes da ação: Programa Nacional de Pós-doutorado (PNPD) em IA da Capes; Observatório da Educação: Fomento à Pesquisa sobre IA e Formação Docente (Capes); Bolsas CNPq; e apoio ao programa de P&D da Petrobras. • Ação 11: INCT - IA Fomento à pesquisa e ao desenvolvimento em IA por meio de Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT), integrando computação e ciências exatas com áreas como ciências biológicas, saúde, sociais, humanas, culturais, econômicas e jurídicas. » Desafio: consolidar uma rede multidisciplinar de excelência, capaz de desenvolver soluções de IA orientadas ao enfrentamento de desafios nacionais em áreas como educação, meio ambiente, economia criativa e indústria. » Meta: estabelecimento de quatro centros temáticos interdisciplinares de estudos avançados em IA, até 2028. » Impactos esperados: aumento da capacidade nacional de pesquisa, desenvolvimento e inovação em IA; formação de massa crítica de pesquisadores e profissionais altamente qualificados; aceleração da transferência de tecnologia para o setor produtivo; e posicionamento do Brasil como referência internacional em pesquisa de IA. » Recursos (2024-2028): R$ 100 milhões (FNDCT/CNPq). » Componentes da ação: iniciativa única. [PAGE 74] 72 • Ação 12: Instituto Nacional de Informática com foco em IA Criação do Instituto Nacional de IA para fomentar a pesquisa avançada em IA. » Desafios: fortalecer a P&D em IA no Brasil e aumentar o impacto de CT&I em empresas com potencial de competitividade global. » Metas: múltiplas metas, incluindo o estabelecimento de cinco grupos de pesquisa em seis meses no âmbito do instituto; lançamento do Instituto em nove meses; e início das operações de apoio a startups em 12 meses. » Impactos esperados: fortalecimento da posição do Brasil na pesquisa global em IA; aceleração da inovação através de colaborações internacionais; e aumento da capacidade computacional para pesquisa em IA. » Recursos (2024-2028): R$ 120 milhões (FNDCT-não reembolsável). » Componentes da ação: iniciativa única. • Ação 13: Fomento a P&D em cooperação com América Latina, Caribe e África Fomento a P&D colaborativo internacional em IA, com instituições de pesquisa e universidades da América Latina, Caribe e África. » Desafio: fortalecer a cooperação científica e tecnológica em IA entre os países, promovendo o desenvolvimento conjunto de soluções para desafios comuns. » Meta: apoio a 100 projetos colaborativos em IA com países da América Latina, Caribe e África, até 2028. » Impacto esperado: consolidação do Brasil como parceiro estratégico em IA na América do Sul e África, impulsionando o desenvolvimento de soluções tecnológicas conjuntas e fortalecendo a cooperação científica regional. » Recursos (2024-2028): R$ 100 milhões (FNDCT-não reembolsável). » Componentes da ação: iniciativa única. Tabela 3 – Ações estruturantes aguardando definição de fonte orçamentária Centro de Monitoramento e Promoção da IA Sustentável (CMPIAS) 1.2. Programa de Sustentabilidade e Energias Renováveis para IA Estabelecimento de centro dedicado ao monitoramento, avaliação e promoção de práticas sustentáveis na implementação e uso da IA. Centro de Ciências de Dados voltados à Biodiversidade da Amazônia 1.4. Programa de Pesquisa e Desenvolvimento em IA Criação de centro de pesquisa aplicando IA e ciência de dados para monitoramento, conservação e exploração sustentável da biodiversidade e sociobioeconomia amazônica, com participação de comunidades tradicionais e povos locais Criação de novos centros de pesquisa em IA 1.4. Programa de Pesquisa e Desenvolvimento em IA Fomento a novos centros regionais de excelência em P&D em IA Fonte: Elaboração própria [PAGE 75] IA para o bem de todos Plano Brasileiro de Inteligência Artificial 73

Programas:

Programa Nacional de Infraestrutura para IA

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Programa de Estruturação do Ecossistema de Dados e Software para IA

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Programa de Pesquisa e Desenvolvimento em IA

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Programa de Sustentabilidade e Energias Renováveis para IA

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Eixo 2: Difusão, formação e capacitação

Programa de difusão e divulgação da IA • Ação 14: Difusão, divulgação e literacia digital em IA Ação abrangente de literacia digital e divulgação em IA, visando a popularizar fundamentos tecnológicos, transparência, aplicações cotidianas, riscos e direitos dos cidadãos. Inclui a Olimpíada Brasileira de IA, envolvendo parcerias com universidades e empresas de tecnologia para workshops e mentoria, e campanhas informacionais e educativas sobre IA para cidadãos. » Desafio: aumentar o conhecimento, engajamento e inclusão social da população brasileira em relação à IA. » Metas: criação de uma Olimpíada de IA em 12 meses (recorrência anual), com participação de escolas públicas de todas as regiões do País; aumento do percentual da população brasileira que declara ter um bom entendimento sobre IA para 85% (pesquisa de opinião Ipsos/AI Index Report) em dois anos. » Impactos esperados: aumento do interesse e compreensão da IA entre jovens e na população geral, resultando em maior procura por cursos relacionados; melhoria na educação científica; e uso mais consciente e responsável da tecnologia. » Recursos (2024-2028): R$ 100 milhões (CNPq/FNDCT-não reembolsável). » Componentes da ação: Olimpíada Brasileira de IA e campanhas informacionais e educativas. Programa de Formação em IA • Ação 15: Laboratórios Interdisciplinares de Formação de Educadores (Lifes) Criação e ampliação de Lifes para formação docente em literacia em IA e uso pedagógico da IA. » Desafio: promover a capacitação de professores para o uso pedagógico da IA. » Metas: criação de 27 novos Lifes; e ampliação de 20 Lifes existentes. » Impactos esperados: professores mais preparados para abordar temas de IA em sala de aula; aumento do interesse e da capacidade dos estudantes em áreas relacionadas à IA e tecnologias digitais; e formação de uma força de trabalho mais qualificada para o futuro. » Recursos (2024-2028): R$ 19 milhões (recursos orçamentários). » Componentes da ação: iniciativa única. [PAGE 76] 74 • Ação 16: IA na Graduação Criação de cursos de graduação em IA e correlatos; estímulo à criação de disciplinas optativas de programação, ciência de dados e IA; e oferta de vagas voltadas à IA no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). » Desafio: ampliar a formação em IA e disciplinas correlatas em todos os cursos de graduação. » Metas: criação de pelo menos 5.000 vagas em cursos de IA em três anos; e disponibilização automática de 100% das vagas em cursos de ciência de dados e IA no Fies. » Impactos esperados: aumento do número de profissionais com formação em IA; e maior integração da IA em diversas áreas do conhecimento. » Recursos (2024-2028): R$ 183,24 milhões (recursos orçamentários). » Componentes da ação: criação de cursos de graduação em inteligência artificial; estímulo à criação de disciplinas optativas em introdução à programação, ciência de dados e/ou IA; e oferecimento de 100% das vagas voltadas à IA no Fies. • Ação 17: Bolsas de IA para Graduação e Pós-Graduação Bolsas de iniciação científica, mestrado e doutorado para iniciação científica, mestrado e doutorado em IA, com valores competitivos para a formação, atração e retenção de talentos. » Desafios: aumentar a oferta de profissionais altamente qualificados em IA no Brasil e reduzir a lacuna entre academia e indústria. » Metas: metas específicas de cada iniciativa em definição (Capes e CNPq). » Impactos esperados: aumento na quantidade e qualidade de pesquisas em IA; formação de uma nova geração de pesquisadores altamente qualificados; desenvolvimento de aplicações de IA com benefícios diretos para a sociedade em áreas estratégicas; e fortalecimento da ponte entre academia e indústria. » Recursos (2024-2028): R$ 194,2 milhões (CNPq e Capes). » Componentes da ação: programas de bolsas de CNPq e Capes. • Ação 18: Bolsas de doutorado de IA no Exterior Bolsas de doutorado no exterior na área de inteligência artificial para ampliação de parcerias internacionais em pesquisas sobre IA. » Desafio: ampliar as parcerias internacionais em pesquisas sobre IA. » Metas: metas específicas de cada iniciativa em definição (Capes e CNPq). [PAGE 77] IA para o bem de todos Plano Brasileiro de Inteligência Artificial 75 » Impactos esperados: ampliação do número de doutores com experiência internacional em IA; fortalecimento das redes de colaboração internacional em pesquisa; e aumento da qualidade e visibilidade da pesquisa brasileira em IA no cenário global. » Recursos (2024-2028): R$ 152 milhões (CNPq e Capes). » Componentes da ação: programas de bolsas de CNPq e Capes. Programa de Capacitação, Qualificação e Requalificação em IA • Ação 19: Qualificação Profissional em IA Plataforma nacional de cursos online de qualificação em IA, bem como cursos presenciais qualificação via estágio em empresas. » Desafio: aumentar a oferta de profissionais qualificados em áreas específicas de IA. » Metas: qualificação de 20 mil profissionais no 1° ano, 30 mil no 2° ano e 50 no 3° ano; e implementação de 500 projetos-piloto de IA em empresas industriais em três anos. » Impactos esperados: aumento da oferta de profissionais qualificados em IA; redução das lacunas de formação em habilidades de IA no setor industrial; e contribuição para a realização das missões da NIB. » Recursos (2024-2028): R$ 150 milhões (FNDCT-não reembolsável, Sistema S e contrapartidas privadas). » Componentes da ação: múltiplas iniciativas de qualificação profissional a serem desenvolvidas em parceria entre as instituições envolvidas. • Ação 20: IA para Educação e Trabalho Iniciativa multi-institucional de formação e capacitação em IA, com uso intensivo de ambientes experimentais. » Desafio: aumentar a oferta de profissionais qualificados em IA no Brasil. » Metas: capacitação ou requalificação de cinco mil profissionais em IA no 1° ano, dez mil no 2° ano e 15 mil no 3° ano de todas as regiões do País; e estabelecimento de 20 parcerias institucionais em três anos. » Impactos esperados: aumento da oferta de profissionais qualificados em IA; melhoria da competitividade das empresas brasileiras; fomento à inovação e o empreendedorismo; e contribuição para a redução das desigualdades sociais e regionais através do uso da IA. » Recursos (2024-2028): R$ 100 milhões (setor privado). » Componentes da ação: iniciativa única. [PAGE 78] 76 • Ação 21: Residência em TICs-IA Formação e capacitação tecnológica em IA, em parceria com a iniciativa privada (estágio em empresas). » Desafio: aumentar a oferta de profissionais em TICs com foco em IA. » Metas: formação e capacitação de 20 mil profissionais por ano, até 2028, sendo cinco mil em desenvolvimento de IA, 15 mil em uso de ferramentas de IA; e formação de 50 projetistas de chips para IA e 100 técnicos em infraestrutura de IA, até 2028. » Impacto esperado: aumento da oferta de profissionais qualificados em IA, atendendo à demanda do mercado e contribuindo para a competitividade da indústria e do ecossistema brasileiro de TICs. » Recursos (2024-2028): R$ 250 milhões (setor privado/Lei de TIC). » Componentes da ação: iniciativa única. Tabela 4 – Ações estruturantes aguardando definição de fonte orçamentária Ação Programa Descrição Plataforma de Participação Social sobre IA 2.1. Programa de Difusão e Divulgação da IA Plataforma digital para facilitar a participação pública em discussões, consultas e decisões relacionadas à IA no Brasil IA no Ensino Técnico-Profissionalizante 2.2. Programa de Formação em IA Ensino técnico-profissionalizante em IA, em parceria com institutos federais, escolas técnicas, escolas públicas de ensino médio e empresas de tecnologia Requalificação Profissional em IA 2.3. Programa de Capacitação, Qualificação e Requalificação em IA Cursos presenciais e online para requalificar profissionais, especialmente aqueles afetados pela automação, para atuarem em funções relacionadas à IA Ação Integrada de Extensão para Capacitação em IA 2.3. Programa de Capacitação, Qualificação e Requalificação em IA Capacitação em IA através da RFEPCT, direcionado a públicos específicos (mulheres, servidores e populações vulneráveis) Fonte: Elaboração própria [PAGE 79] IA para o bem de todos Plano Brasileiro de Inteligência Artificial 77

Programas:

Programa de Capacitação, Qualificação e Requalificação em IA

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Programa de Difusão e Divulgação da IA

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Programa de Formação em IA

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Eixo 3: IA para Melhoria dos Serviços Públicos

Núcleo de IA do Governo Federal • Ação 22: Plataforma de Inteligência Artificial do Governo Plataforma de IA do Governo com abordagem baseada no contexto e na estratégia da administração pública federal. » Desafios: desenvolver, treinar e implantar modelos de IA para o governo. » Meta: disponibilização da plataforma para desenvolvimento e operação em alta escala de projetos e modelos de IA para o governo, até 2026. » Impactos esperados: elaboração de padrões de integração; interoperabilidade; disponibilização de tecnologias emergentes para desenvolvimento; e operação de projetos em IA, acelerando e otimizando o processo de adoção das tecnologias. » Recursos (2024-2028): R$ 25 milhões (MGI). » Componentes da ação: iniciativa única. • Ação 23: Prospecção e Estruturação de Projetos de IA Estabelecimento de metodologia para prospecção e estruturação de projetos estratégicos relacionados à IA dentro do governo. » Desafios: identificar e estruturar projetos estratégicos de IA no governo. » Metas: estabelecimento e aplicação da metodologia em dez áreas prioritárias do governo e estruturação de 25 projetos de alto impacto, até 2026. » Impactos esperados: identificação de oportunidades para estruturação e aplicação de soluções de IA no setor público; e melhoria na qualidade e eficiência dos serviços públicos. » Recursos (2024-2028): R$ 7,5 milhões (MGI). » Componentes da ação: iniciativa única. • Ação 24: Experimentação de projetos de IA no governo Desenvolvimento de projetos-piloto de IA no governo federal para avaliar viabilidade, riscos e benefícios, antes da implementação em larga escala. » Desafio: avaliar a viabilidade e o impacto de projetos experimentais de IA, antes de aplicação em larga escala. [PAGE 80] 78 » Meta: realização de 25 projetos de experimentação em IA no âmbito do Núcleo de IA, até 2026. » Impacto esperado: melhor embasamento na decisão de avançar para o desenvolvimento em larga escala de projeto de IA, diminuindo o risco dos projetos. » Recursos (2024-2028): R$ 15 milhões (MGI). » Componentes da ação: iniciativa única. • Ação 25: Monitoramento do Desenvolvimento e Uso da IA Sistema de coleta e análise de dados sobre projetos de IA no governo federal para obter uma visão integrada de sua adoção e desenvolvimento. » Desafio: obter visão integrada sobre os avanços da adoção de IA no governo federal. » Meta: realização de levantamento anual sobre adoção da IA nos órgãos e entidades do governo federal. » Impactos esperados: avaliação do ritmo de adoção das soluções de IA; e identificação de problemas enfrentados e das tecnologias utilizadas. » Recursos (2024-2028): R$ 4 milhões (MGI). » Componentes da ação: iniciativa única. • Ação 26: Capacitação de servidores públicos em IA Capacitação de servidores públicos federais em IA para apoiar o desenvolvimento e a adoção da tecnologia no governo. » Desafio: capacitar servidores públicos federais para responder aos desafios da transformação digital e IA. » Meta: capacitação de 115.000 servidores federais, até 2026 (20% do total). » Impactos esperados: aumento do número de servidores públicos aptos a trabalharem com inteligência artificial; e oferta eficiente e rápida de serviços à população. » Recursos (2024-2028): R$ 7,5 milhões (MGI). » Componentes da ação: iniciativa única. Infraestrutura Nacional de Dados • Ação 27: Nuvem Soberana [PAGE 81] IA para o bem de todos Plano Brasileiro de Inteligência Artificial 79 Infraestrutura de nuvem privada ou comunitária gerida exclusivamente por órgãos ou empresas públicas. » Desafios : proteger dados sigilosos, garantir a privacidade, a disponibilidade e a gestão apropriada deles. » Meta: migração de dados classificados em grau de sigilo para ambiente de nuvem do governo, até 2027. » Impactos esperados: aumento da segurança e soberania de dados críticos/sensíveis; armazenamento de dados críticos/sensíveis em território nacional; e garantia de soberania e privacidade dos dados. » Recursos (2024-2028): R$ 1 bilhão (Serpro e Dataprev). » Componentes da ação: iniciativa única. • Ação 28: Catalogação, Governança e Estratégia de Uso de Dados Estabelecimento de política de governança de dados, ampliação da maturidade no uso de dados e catalogação de conjuntos de dados no âmbito do governo federal. » Desafio: tratar dados públicos como ativos estratégicos para apoio na solução de grandes desafios da sociedade. » Metas: estabelecimento da política de governança de dados nos órgãos e entidades federais; elevação da maturidade de dois para três, até 2026; e catalogação de 2.000 conjuntos de dados do governo federal, até 2027. » Impactos esperados: institucionalização e priorização do uso estratégico de dados nos órgãos e entidades federais; melhoria no aproveitamento do potencial do uso estratégico dos dados pelos órgãos e entidades federais; e ampliação da governança, transparência e reúso dos dados governamentais. » Recursos (2024-2028): R$ 6 milhões (MGI). » Componentes da ação: trata-se de três iniciativas contemplando a catalogação das bases de dados governamentais, a criação de uma política de governança de dados públicos, e a ampliação do nível de maturidade para o uso de dados por órgãos públicos. • Ação 29: Integração e Reúso Estratégico de Dados Implementar a interoperabilidade entre órgãos e entidades governamentais para promover o reúso e compartilhamento eficiente de dados. » Desafio: promover o compartilhamento de dados para evitar duplicidade de esforços do cidadão em conformidade com a LGPD. [PAGE 82] 80 » Meta: economia de R$ 6 bilhões com a utilização do Programa Conecta Gov.br, ao reduzir as exigências de documentos dos cidadãos, até 2026. » Impactos esperados: simplificação do acesso aos serviços públicos digitais; redução da burocracia e economia significativa de recursos por meio da implementação do princípio “once only” (cidadãos devem informar seus dados ao governo apenas uma vez, órgãos e entidades públicas devem interoperar) e interoperabilidade entre órgãos governamentais. » Recursos (2024-2028): R$ 107 milhões (MGI). » Componentes da ação: iniciativa única. • Ação 30: Personalização dos Serviços Públicos Personalização de serviços públicos, para oferecer ao cidadão conteúdo contextual, direcionado e proativo. » Desafio: ampliar a oferta de conteúdo dos diversos órgãos e entidades públicas federais para os cidadãos de maneira personalizada e proativa. » Meta: personalização da comunicação digital em 50 serviços públicos digitais, até 2026. » Impacto esperado: ampliação da cidadania, uma vez que o cidadão terá, de maneira antecipada e por meio de mensagens personalizadas, informações sobre seus direitos e suas obrigações. » Recursos (2024-2028): R$ 26 milhões (MGI). » Componentes da ação: iniciativa única. • Ação 31: Privacidade e Segurança da Informação no Setor Público Conjunto de ações abrangentes de privacidade e segurança da informação nos órgãos federais. » Desafio: garantir a privacidade e a segurança das informações dos cidadãos na prestação dos serviços públicos. » Meta: incremento no valor médio do índice de maturidade em privacidade e segurança da informação em dois décimos, até 2027. » Impactos esperados: fortalecimento da privacidade e segurança da informação; aumento da resiliência das instituições públicas; e aumento do grau de confiança do cidadão no uso dos serviços públicos digitais. » Recursos (2024-2028): R$ 41 milhões (MGI). » Componentes da ação: iniciativa única. [PAGE 83] IA para o bem de todos Plano Brasileiro de Inteligência Artificial 81 • Ação 32: Infraestrutura para uso e aplicação de IA na educação Construção de base unificada de dados educacionais. » Desafios : facilitar a aplicação de IA na educação a partir da organização, integração e cruzamento de dados educacionais, e promover o acesso a dados de forma anonimizada para pesquisadores e para o público credenciado (atendimento à LGPD). » Meta: estabelecimento de infraestrutura inicial a partir da organização, integração e operacionalização das bases de dados educacionais do MEC, até 2026. » Impactos esperados: fortalecimento da privacidade e segurança da informação; aumento da resiliência das instituições públicas; e aumento do grau de confiança do cidadão no uso dos serviços públicos digitais. » Recursos (2024-2028): R$ 258 milhões (MEC). » Componentes da ação: contempla duas iniciativas – estabelecimento de uma infraestrutura para uso e aplicação de IA na área de educação e criação de uma plataforma de acesso a dados educacionais para pesquisadores e para o público credenciado. Programa de Soluções de IA para Serviços Públicos • Ação 33: Soluções de IA para o governo Lançamento de chamadas periódicas para desenvolver soluções de IA que atendam desafios do setor público e fomentem startups govtechs. » Desafio: melhorar a qualidade e eficiência dos serviços públicos com uso da IA para a análise do grande volume de dados governamentais disponíveis. » Metas: lançamento de duas chamadas anuais; e implementação de projetos estruturantes de IA em dez órgãos/ano. » Impactos esperados: melhoria na qualidade, eficiência e efetividade dos serviços públicos prestados à população; aumento da adoção de IA no setor público; e desenvolvimento de startups (govtechs) voltadas para a área de IA. » Recursos (2024-2028): R$ 100 milhões (FNDCT-não reembolsável). » Componentes da ação: iniciativa única (múltiplas chamadas). • Ação 34: Desenvolvimento de IA para Cibersegurança no Governo Desenvolvimento de sistemas de IA para melhorar a detecção e resposta a incidentes de segurança cibernética no governo. [PAGE 84] 82 » Desafio: aumentar a capacidade de resposta a ataques cibernéticos por meio do uso de ferramentas de IA. » Metas: capacitação de 100% das equipes dos órgãos setoriais do Sistema de Administração dos Recursos de Tecnologia da Informação (Sisp), até 2026; e implantação de módulos de detecção e resposta a ameaças em 100% dos órgãos setoriais, até 2027. » Impactos esperados: aumento da capacidade de analisar rapidamente grandes quantidades de dados; identificação de comportamentos anormais; detecção de atividades maliciosas. » Recursos (2024-2028): R$ 72 milhões - MGI e Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República -. » Componentes da ação: iniciativa única. • Ação 35: Desenvolvimento de IA para aperfeiçoamento das contratações públicas Desenvolvimento de ferramentas de IA para otimizar os processos de contratações públicas. » Desafio: identificar padrões nas contratações públicas com foco em agilidade de processos, redução de custos, correção de erros e fraudes, e aumento da transparência e eficácia. » Meta: incorporação do uso de ferramentas de IA nas rotinas de contratação pública. » Impactos esperados: melhoria na qualidade, eficiência e efetividade dos processos de contratações públicas; e promoção do ecossistema e o desenvolvimento de soluções de IA no País. » Recursos (2024-2028): R$ 30 milhões (MGI). » Componentes da ação: iniciativa única. • Ação 36: IA para gestão dos recursos da educação Utilização da IA para simplificação e automatização dos processos de gestão e prestação de contas dos recursos financeiros oriundos de repasses do FNDE e do Programa Dinheiro Direto na Escola. » Desafios: modernizar e otimizar a gestão, com monitoramento e prestação de contas por meio da IA. » Metas: desenvolvimento e implementação de solução para gestão de processos em até 24 meses. » Impacto esperado: maior agilidade na gestão e prestação de contas de recursos da educação. » Recursos (2024-2028): R$ 16 milhões (MEC/FNDE). [PAGE 85] IA para o bem de todos Plano Brasileiro de Inteligência Artificial 83 » Componentes da ação: contempla duas iniciativas, cada uma recebendo 50% dos recursos previstos, (a) IA para instrumentalizar a execução, o monitoramento e a prestação de contas dos programas de assistência e de repasses financeiros geridos pelo FNDE; e (b) Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) (IA para apoiar a gestão financeira e orçamentária das escolas públicas). • Ação 37: Uso de IA para aperfeiçoar os processos de Gestão de Pessoas Desenvolvimento e uso de IA em projetos relacionados à área de Gestão de Pessoas no serviço público. » Desafio: aumentar a eficiência operacional e de gestão dos recursos humanos. » Meta: implementação de sete projetos de IA de alto impacto, relacionados à área de Gestão de Pessoas no serviço público, até 2028. » Impactos esperados: melhoria da qualidade e eficiência dos processos administrativos; e redução dos custos ocasionados por erros humanos. » Recursos (2024-2028): R$ 13 milhões (MGI). » Componentes da ação: iniciativa única. • Ação 38: Uso de IA para aperfeiçoar os processos de Patrimônio da União IA para a Gestão do Patrimônio da União. » Desafios: melhorar a gestão e o acompanhamento dos imóveis da União, como valoração, identificação e incorporação de novos imóveis; e apoiar as operações de fiscalização dos imóveis da União. » Meta: implementação de nove projetos de IA de alto impacto, relacionados à área de Gestão do Patrimônio da União, até 2028. » Impactos esperados: melhoria da qualidade e eficiência dos processos administrativos, e redução dos custos ocasionados por erros humanos. » Recursos (2024-2028): R$ 10 milhões (MGI). » Componentes da ação: iniciativa única. • Ação 39: Apoio ao desenvolvimento de projetos de lA nas empresas estatais Prospecção e apoio à estruturação de projetos estratégicos relacionados à inteligência artificial nas empresas estatais. » Desafio: identificar oportunidades de desenvolvimento de projetos de lA nas empresas estatais alinhados ao alcance de objetivos de políticas públicas. [PAGE 86] 84 » Meta: identificação de projetos de lA em curso nas empresas estatais, oportunidades para indução do ecossistema e desenvolvimento de soluções de lA no País. » Impactos esperados: melhoria dos processos das empresas estatais; e contribuição para fomentar o ecossistema e o desenvolvimento de soluções de IA no País. » Recursos (2024-2028): R$ 4 milhões (MGI). » Componentes da ação: iniciativa única. • Ação 40: SIPEC – Sistema inteligente de previsão de extremos climáticos Desenvolvimento de um sistema baseado em inteligência artificial para previsão de eventos climáticos extremos, com alto grau de confiabilidade (sem vieses para remover erros sistemáticos de previsão), e específico para as características brasileiras, aprimorando o modelo acoplado oceano-atmosfera BESM-INPE11. » Desafios: prever os eventos climáticos extremos e mitigar os danos causados à sociedade. » Metas: desenvolvimento e implantação em até um ano de um sistema de inteligência artificial capaz de prever eventos climáticos extremos com antecedência de até 12 meses. » Impacto esperado: aprimoramento da capacidade do Brasil de prever e se preparar para eventos climáticos extremos, a fim de minimizar seus impactos adversos sobre a população e a infraestrutura nacional. » Recursos (2024-2028): R$ 15 milhões (FNDCT-não reembolsável). » Componentes da ação: iniciativa única. 11 BESM-Inpe é o Modelo Brasileiro do Sistema Terrestre (MBST) ou BESM [do acrônimo em Inglês para Brazilian Earth System Model ocean-atmosphere (BESM-OA)]. Trata-se do primeiro modelo climático nacional, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe); o Programa Fapesp de Pesquisas em Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG); a Rede Clima; e o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas (INCT-MC). [PAGE 87] IA para o bem de todos Plano Brasileiro de Inteligência Artificial 85

Programas:

Infraestrutura Nacional de Dados

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Núcleo de IA do Governo Federal

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Programa de Soluções de IA para Serviços Públicos

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Eixo 4: IA para Inovação Empresarial

Programa de Fomento à Cadeia de Valor da IA • Ação 41: Desenvolvimento de data centers nacionais Apoio à criação de data centers alimentados por fontes de energia renováveis, priorizando as regiões Norte e Nordeste. » Desafio: desenvolver e fortalecer a cadeia de fornecedores de data centers para IA no Brasil. » Metas: metas específicas por iniciativa (BNDES e Finep). » Impactos esperados: implementação de data centers de alta capacidade e eficiência energética no Brasil; estabelecimento de infraestrutura robusta para IA; e redução da dependência de recursos estrangeiros. » Recursos (2024-2028): R$ 2,3 bilhões - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e FNDCT-reembolsável -. » Componentes da ação: chamadas de BNDES e Finep. • Ação 42: Apoio Sistêmico à Cadeia de Valor da IA Apoio à cadeia de valor da IA, integrando e expandindo as ações da Emprapii relacionadas a projetos de IA. » Desafio: fortalecer a capacidade produtiva nacional na cadeia de IA. » Metas: aumento de 20% a.a. do número de projetos de PD&I em IA; estruturação da Rede Embrapii de Competência em IA com 25 unidades e Centros de Competência, até 2026; ampliação de 15 para 35 no número de Unidades Embrapii habilitadas para projetos em IA, até 2026; e contratação de cinco projetos estruturantes em IA, até 2026. » Impactos esperados: aumento significativo da capacidade nacional de desenvolver soluções de IA para desafios estratégicos; fortalecimento da colaboração entre academia, setor privado e governo; aceleração da transferência de tecnologia; e posicionamento do Brasil como referência em inovação em IA. » Recursos (2024-2028): R$ 667 milhões (FNDCT-não reembolsável e setor privado). » Componentes da ação : (a) Criação da Rede Embrapii de Competência em IA (R$ 150 milhões); (b) Estabelecimento de uma Rede de (quatro) Centros de Excelência em IA (nanotecnologia, IoT, Robótica e AGI) (R$ 240 milhões); e (c) Apoio a projetos de PD&I em IA (R$ 260 milhões). [PAGE 88] 86 • Ação 43: Apoio a Startups de IA Criação de um fundo de investimentos de apoio a startups de IA, incluindo recursos do Plano Mais Produção. » Desafio: ampliar o número, o faturamento e a presença global de startups de IA brasileiras. » Metas: metas específicas por iniciativa (BNDES e Finep). » Impactos esperados: criação de novas startups e crescimento das startups existentes de IA; aumento do P&D em IA realizado no País; criação de novos ambientes inovadores e hubs de inovação; desenvolvimento de soluções tecnológicas de ponta; aumento da competitividade internacional das startups brasileiras de IA; e fortalecimento da capacidade de criar modelos endógenos de IA. » Recursos (2024-2028): R$ 400 milhões (BNDES, FNDCT-não reembolsável e setor privado). » Componentes da ação: iniciativa única. • Ação 44: IA para MPEs e MEIs Estímulo e ampliação da adoção de IA em diferentes segmentos de pequenos negócios. » Desafio: aumentar a produtividade e a competitividade de Micro e Pequenas Empresas (MPE) e Microempreendedores individuais (MEI). » Metas: programas de aceleração em IA em MPE de setores intensivos; execução de projetos- piloto de inclusão digital em três estados; e desenvolvimento e aplicação de estudos para aprimoramento no suporte aos MEI em 12 meses. » Impactos esperados: aumento na adoção e no uso eficaz de IA entre MPE dos setores intensivos; preparação para tecnologias avançadas entre MEI e empreendedores informais; maior compreensão das necessidades dos MEI, resultando em estratégias de apoio mais eficazes; e aumento na sobrevivência e competitividade desses negócios. » Recursos (2024-2028): R$ 305 milhões - Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) -. » Componentes da ação: (a) Transferência tecnológica pra MPE (R$ 150 milhões); (b) Acesso, conectividade e habilidades digitais para MEI (inclusão produtiva) (R$ 150 milhões); e (c) Ciências comportamentais aplicadas à IA para o MEI (R$ 5 milhões). • Ação 45: Recursos Humanos em Áreas Estratégicas (RHAE) - IA Inserção de mestres e doutores especialistas em IA em empresas privadas, preferencialmente de micro, pequeno e médio porte. [PAGE 89] IA para o bem de todos Plano Brasileiro de Inteligência Artificial 87 » Desafio: ampliar a inserção de mestres e doutores em empresas privadas, preferencialmente MPME, para maior interação entre universidades e empresas. » Meta: concessão de 1.200 bolsas para pesquisadores, até 2026, focadas no desenvolvimento de soluções de IA em MPME. » Impactos esperados: alavancagem da produtividade das pequenas e médias empresas nacionais; e difusão, compartilhamento e aprimoramento do conhecimento técnico-científico. » Recursos (2024-2028): R$ 100 milhões (CNPq/FNDCT-não reembolsável). » Componentes da ação: iniciativa única. • Ação 46: Retenção de talentos para inovação em IA Bolsas de complementação salarial para retenção de talentos em IA. » Desafio: promover a retenção da força de trabalho altamente qualificada em IA no Brasil, evitando evasão para mercados concorrentes. » Meta: apoio a 1.000 profissionais qualificados em IA em projetos de PD&I empresariais, até 2026, com retenção no País dos formados em IA. » Impactos esperados: diminuição da evasão de profissionais qualificados em IA para mercados concorrentes; e fixação de profissionais formados em IA em empresas. » Recursos (2024-2028): R$ 600 milhões (FNDCT-não reembolsável e setor privado). » Componentes da ação: iniciativa única. Programa de IA para desafios da indústria brasileira • Ação 47: Centro Nacional de IA para a Indústria (CNIA4I) Criação de um centro para desenvolvimento de tecnologias baseadas em IA para a indústria. » Desafio: fomentar um ecossistema tecnológico adequado para desenvolvimento de modelos de IA para aplicações industriais. » Metas: composição de redes de instituições em 12 meses; modelagem e início do programa de capacitação em 12 meses; e inauguração do CNIA4I em 18 meses. » Impactos esperados: Brasil como um líder regional em IA; garantia da segurança e soberania tecnológica, por meio do avanço científico e tecnológico da indústria brasileira. » Recursos (2024-2028): R$ 260 milhões (FNDCT-não reembolsável e setor privado). » Componentes da ação: iniciativa única. [PAGE 90] 88 • Ação 48: Soluções de IA para as missões da NIB Direcionamento de recursos do Plano Mais Produção e do Programa Mais Inovação para projetos de IA aplicada à indústria, com foco nas cadeias de aplicação definidas nas missões da Nova Indústria Brasil e no apoio a empresas brasileiras fornecedoras de sistemas especialistas. » Desafio: adotar soluções de IA alinhadas às necessidades específicas das missões da Nova Indústria Brasil (NIB). » Meta: financiamento de pelo menos 500 projetos de IA aplicados à indústria, até 2028. » Impactos esperados: aumento na adoção de IA no setor industrial brasileiro; aumento na produtividade e competitividade; e fortalecimento da indústria nacional de software, com capacidade ampliada de desenvolver e implementar sistemas de IA especializados para as diversas cadeias produtivas priorizadas pela NIB. » Recursos (2024-2028): R$ 9,1 bilhões (FNDCT-reembolsável e BNDES). » Componentes da ação: chamadas de BNDES e Finep. • Ação 49: IA para aumento da produtividade de MPMEs industriais Implementação de ferramentas de inteligência artificial (IA) no programa Brasil Mais Produtivo (B+P), abrangendo três vertentes principais: criação de dataspace industrial, otimização do processo de inscrição e implantação de biblioteca de IA. » Desafio: aumentar a produtividade de MPMEs industriais. » Metas: estruturação de base de dados e levantamento de requisitos do data space em seis meses; implantação da infraestrutura digital pública; e capacitação de instituições em um ano. » Impacto esperado: melhoria da produtividade das MPME atendidas pelo programa e das cadeias produtivas em que estão inseridas. » Recursos (2024-2028): R$ 28 milhões (FNDCT-não reembolsável). » Componentes da ação: iniciativa única. Tabela 5 – Ações estruturantes aguardando definição de fonte orçamentária Ação Programa Descrição Centro Nacional de IA aplicada à agricultura e Pecuária 4.2. Programa de IA para Desafios da Indústria Brasileira Criação de Centro de IA para a Agropecuária, incorporando a expertise da Embrapa em agrointeligência [PAGE 91] IA para o bem de todos Plano Brasileiro de Inteligência Artificial 89

Programas:

Programa de Fomento à Cadeia de Valor da IA

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Programa de IA para Desafios da Indústria Brasileira

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Eixo 5: Apoio ao processo regulatório e de governança da IA 42

4. Governança e monitoramento do Plano de IA para o Bem de Todos 45 Anexo 1. Ações de impacto imediato 47 Anexo 2. Ações estruturantes 67 Anexo 3. Glossário dos termos utilizados no PBIA 93 Siglas e abreviaturas encontradas nesta publicação 97 Referências 100 [PAGE 11] IA para o bem de todos Plano Brasileiro de Inteligência Artificial 9 Apresentação É com grande satisfação que apresento a versão final do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), uma iniciativa estratégica do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CCT), do governo federal, sob a coordenação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com o apoio do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), para posicionar o Brasil na vanguarda do desenvolvimento e da aplicação responsável da inteligência artificial. Por todo o mundo, testemunhamos uma verdadeira corrida para garantir o domínio das tecnologias de inteligência artificial. Como nação soberana e comprometida com o bem-estar de nossa população, não podemos ficar à margem dessa revolução. O PBIA nasce da convicção de que o Brasil não apenas deve participar dessa jornada, mas pode e deve fazê-lo de modo a refletir nossos valores, prioridades e desafios particulares. A inteligência artificial representa um poderoso conjunto de tecnologias com potencial para transformar praticamente todos os setores da sociedade. Ela exige infraestrutura robusta de computação e tem a capacidade de apresentar soluções inovadoras para os mais diversos desafios, desde os cotidianos até os mais complexos problemas nacionais. Nossa visão é clara: queremos que o Brasil seja um modelo global de eficiência e inovação no uso sustentável da inteligência artificial, inclusive no setor público. Não desejamos simplesmente importar soluções; queremos desenvolvê-las aqui, por brasileiros e para brasileiros, considerando nossas particularidades sociais, culturais e econômicas. Para concretizar essa visão, o PBIA prevê investimentos de R$ 23 bilhões até 2028. Estes recursos, provenientes de diversas fontes como crédito, recursos públicos e contrapartida de investimento privado, serão direcionados para fortalecer nossa infraestrutura tecnológica, capacitar profissionais e fomentar a pesquisa e inovação em IA no País. Um dos projetos mais emblemáticos deste esforço é a criação de nossa “nuvem soberana”, uma infraestrutura nacional de armazenamento de dados. Esta iniciativa é fundamental para proteger informações estratégicas de instituições públicas nacionais, garantindo nossa soberania digital. O PBIA não é apenas um plano tecnológico. Nosso objetivo é garantir que a inteligência artificial melhore a vida do povo brasileiro, promovendo inclusão social e oferecendo soluções tangíveis em áreas prioritárias como saúde e educação. Sabemos que, como toda inovação disruptiva, a IA traz tanto oportunidades quanto desafios. Estamos atentos aos potenciais impactos no mercado de trabalho e, por isso, o Plano coloca ênfase especial na capacitação profissional e na geração de novas oportunidades de emprego. Queremos não apenas preparar nossos cidadãos para os empregos do futuro, mas também criar todo um ecossistema produtivo em torno dessas tecnologias. A força do PBIA está em sua capacidade de conectar a inovação tecnológica com a resolução de problemas nacionais concretos. O PBIA representa não apenas um compromisso governamental, mas uma parceria que envolve toda a sociedade brasileira. Pesquisadores, empresários, trabalhadores, estudantes e cidadãos [PAGE 12] 10 de todas as regiões do País são chamados a contribuir para essa construção coletiva de um futuro onde a tecnologia serve ao bem comum. Estamos diante de uma oportunidade histórica. Com o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, damos um passo decisivo para garantir que o Brasil não seja apenas um consumidor passivo de tecnologias desenvolvidas alhures, mas um protagonista ativo na definição dos rumos da inteligência artificial global, sempre com o olhar voltado para as necessidades e aspirações de nosso povo. Juntos, faremos da inteligência artificial uma poderosa aliada na construção de um Brasil mais justo, próspero e tecnologicamente soberano. Luciana Santos Ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação [PAGE 13] IA para o bem de todos Plano Brasileiro de Inteligência Artificial 11 Introdução1 Inteligência pode ser definida como a capacidade de aprender e executar processos e técnicas adequados para resolver problemas no contexto de um mundo incerto e sempre variável. Por exemplo, um robô de automação industrial típico, totalmente pré-programado, é flexível, preciso e consistente, mas não inteligente. O termo inteligência artificial (IA) foi proposto originalmente pelo professor John McCarthy em 1955 como “a ciência e a engenharia de fazer máquinas inteligentes”. Uma definição mais contemporânea descreve a IA como um conjunto de modelos, algoritmos, técnicas e processos que podem ser implementados em sistemas computacionais capazes de, para um determinado conjunto de objetivos definidos pelo ser humano, realizar previsões, fornecer recomendações ou tomar decisões que influenciam ambientes reais ou virtuais. De forma mais abstrata, alguns definem IA como a “capacidade dos sistemas de computador ou algoritmos de imitar o comportamento humano inteligente”. Deste modo, a inteligência artificial (IA) emerge como uma das maiores forças transformadoras de nossa era, representando não uma revolução isolada, mas a continuidade de ondas anteriores associadas à informatização e conexão através da Internet, entre outros avanços que continuam a remodelar profundamente nossa sociedade, economia e estruturas governamentais. A IA, especialmente com os recentes avanços em IA generativa, surge como uma nova onda de inovação nesse contexto, após as ondas iniciais da computação e da internet. Assim como nas ondas anteriores, o momento atual de transformação tecnológica acelerada oferece oportunidades únicas para países em desenvolvimento acelerarem seu progresso, reduzindo a defasagem em relação às nações desenvolvidas. O Brasil, em particular, apresenta características que o posicionam de forma privilegiada nesse contexto. Após diversas reformas, a economia brasileira recuperou sua estabilidade e acumulou reservas internacionais expressivas. A recente aprovação da reforma tributária e do novo regime fiscal tem pavimentado o caminho para um novo horizonte de investimentos para o País, que vem sendo retroalimentado pela nova política industrial e pelo descontingenciamento dos fundos de desenvolvimento científico e tecnológico (FNDCT e Funttel). Com uma população jovem e muito ágil na adoção de novas tecnologias, o País também avançou bastante nas últimas décadas na expansão de sua rede de ensino e pesquisa e na estruturação de seu ecossistema de inovação. O País também conta com um conjunto de bases de dados nacionais diversas em diferentes e importantes áreas, como saúde, agricultura e sistema financeiro, entre outras. Também apresenta iniciativas estruturantes, como os Centros de Pesquisa Aplicada (CPA) (Brasil, 2024) em inteligência artificial, a Rede Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI)/Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e o lançamento de editais de estímulo ao desenvolvimento de soluções inovadoras para diversos setores governamentais e privados. A matriz energética predominantemente limpa do Brasil (EPE, 2023) representa ainda uma vantagem competitiva importante, possibilitando o desenvolvimento de soluções de IA mais sustentáveis e alinhadas com os objetivos globais de redução de emissões. 1 A presente publicação é um documento de referência do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial. Os Anexos 1 e 2, que contêm as ações de impacto e estruturantes, serão regularmente atualizados. As informações decorrentes de atualizações do Plano poderão ser acompanhadas por meio do site do MCTI. [PAGE 14] 12 No entanto, para alavancar plenamente seu potencial, o País enfrenta grandes desafios. Por exemplo, faz-se necessário ampliar substancialmente os investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D), implementar uma infraestrutura digital e computacional de ponta, e garantir a interoperabilidade, a disponibilidade e o acesso aos dados. Na prática, o desafio da implantação de infraestrutura computacional e de dados significa a instalação de supercomputadores de alto desempenho dedicados à IA, a expansão de data centers de última geração e o fortalecimento das redes de comunicação de alta velocidade. Paralelamente, é fundamental intensificar a formação ampla em IA, com o desenvolvimento de programas de capacitação em todos os níveis, desde a educação básica até a pós-graduação, além da requalificação da mão de obra existente, de forma a se adequar às novas exigências e oportunidades do mercado de trabalho, criando uma força de trabalho qualificada tanto para o desenvolvimento quanto para o uso eficaz e crítico de tecnologias de IA. A formação de um corpo técnico qualificado e a criação de postos de trabalho compatíveis é fundamental para a retenção de talentos e soberania tecnológica do País. É também fundamental fomentar ecossistemas de IA nas diversas regiões brasileiras que promovam a colaboração entre empresas, universidades e governo para impulsionar a inovação e o desenvolvimento de uma inteligência artificial adequada às características brasileiras. Tais desafios, típicos de uma nação cuja trajetória de desenvolvimento permanece incompleta, são multifacetados e demandam soluções inovadoras. Na área da saúde, por exemplo, apesar de o País contar com um sistema ramificado, descentralizado e universal, há importantes desafios a serem superados para alcançar uma saúde de qualidade para todos, inclusive para comunidades isoladas onde o acesso a um posto de saúde pode levar dias. Nesse cenário, a IA apresenta um potencial transformador para o bem. Quando devidamente implantada, ela pode contribuir para otimizar a gestão de recursos e fluxos de pacientes, reduzindo filas e tempos de espera; aprimorar a precisão e velocidade de diagnósticos; e viabilizar soluções de telemedicina avançada, aproximando cuidados especializados de comunidades remotas. O Brasil é também um dos maiores produtores de alimentos do mundo (FAO, 2023), mas enfrenta desafios significativos, como a necessidade de reduzir o desperdício nas etapas de transporte e comercialização, e apoiar pequenos agricultores que carecem de acesso a informações e tecnologias que poderiam aumentar sua produtividade. A IA pode desempenhar um papel importante nesse cenário, contribuindo desde o fornecimento de assistência técnica personalizada sobre as melhores práticas agrícolas, baseadas em dados de solo e clima, até a otimização das cadeias de insumos e distribuição. Em suma, ao falarmos sobre a necessidade de uma IA adequada às características brasileiras, devemos levar em consideração que os desafios do País possuem suas peculiaridades. A disponibilidade de recursos tecnológicos e materiais é limitada, e tanto a capacidade técnica quanto a literacia em IA são muito diversas, conformando um cenário único, mas de alta relevância, para a solução desses desafios e problemas utilizando IA. Embora a IA não seja uma panaceia, ela se mostra uma forte aliada no desenvolvimento de alternativas sustentáveis e integradas ao meio ambiente para melhorar a vida das pessoas. Soluções piloto surgem em novos centros de pesquisa, empresas, startups e universidades. O Brasil, com seus centros de excelência, pesquisadores e empreendedores altamente qualificados, está na direção certa para enfrentar este amplo conjunto de desafios com soluções viáveis e eficientes, mas precisa acelerar sua jornada, por meio de esforços para superação de grandes gargalos. Foi a partir dessas premissas que a formulação de um Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) foi demandada ao Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CCT), no dia 7 de março de 2024. [PAGE 15] IA para o bem de todos Plano Brasileiro de Inteligência Artificial 13 Na ocasião, o Presidente da República enfatizou a necessidade de desenvolver e adotar uma tecnologia que melhorasse a vida do cidadão brasileiro e que fosse pautada por princípios éticos e não discriminatórios, servindo de exemplo para o mundo: ... uma inteligência artificial do bem, e não uma inteligência artificial do mal. Uma inteligência artificial para ajudar a cuidar da saúde, para ajudar a cuidar do povo pobre, para melhorar a descarbonização do planeta Terra, e não uma inteligência artificial para contar fake news todo santo dia aos ouvidos e olhos de bilhões e bilhões de seres humanos. O PBIA é, assim, um plano orientado à superação de grandes desafios nacionais em áreas específicas com potencial de impacto positivo no bem-estar de brasileiras e brasileiros. O Plano inspira-se em experiências internacionais, adaptando-as à realidade brasileira de modo a aproveitar as vantagens comparativas do País, como sua matriz energética limpa, capacidade de pesquisa de ponta, e capacitação tecnológica em setores estratégicos como agricultura, saúde e meio ambiente. Para concretizar as mudanças almejadas, o PBIA busca: • melhorar a vida dos brasileiros por intermédio de inovações em inteligência artificial voltadas para a melhoria da capacidade produtiva nacional e o bem-estar social; • posicionar o Brasil na vanguarda tecnológica avançada com infraestrutura computacional para impulsionar pesquisas, desenvolvimentos tecnológicos e inovações de ponta em IA; • desenvolver modelos de linguagem de grande escala (LLM) [do acrônimo em Inglês, Large Language Models] para inteligência artificial em português, baseados em dados nacionais; e • fortalecer a liderança global do Brasil, promovendo o desenvolvimento tecnológico em inteligência artificial com soberania e compartilhamento internacional de capacidades. Para alcançar esses objetivos, o Plano enfatiza a necessidade de investimentos significativos e de longo prazo em P&D, com a criação de mecanismos para incentivar maior participação do setor privado. Fomenta a colaboração entre academia e indústria, além de apoiar o estabelecimento de um arcabouço regulatório propício à inovação responsável. Deste modo, o Pbia se alinha a outras iniciativas regulatórias em curso nos âmbitos legislativo, judiciário e executivo. O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial foi elaborado sob a orientação estratégica do CCT, que desempenhou um papel central na concepção e direcionamento do Plano.2 As instituições que compõem o Conselho contribuíram com propostas fundamentais e percepções valiosas, estabelecendo as bases para uma política de IA alinhada com as necessidades e potencialidades do País. Ao longo de quatro meses, diversas atividades foram realizadas para elaboração do Plano. Ocorreram duas reuniões de trabalho do CCT, resultando no recebimento de 38 documentos com mais de 300 propostas. Organizaram-se também seis oficinas temáticas, com cerca de 300 participantes, sendo estes, membros do 2 Conforme a Portaria MCTI Nº 8.251/2024 (Brasil, 2024a), a elaboração do PBIA foi coordenada por um Grupo de Trabalho liderado pela Secretaria Executiva (Sexec/MCTI), incluindo representantes da Secretaria de Ciência e Tecnologia para Transformação Digital do MCTI (Setad/MCTI), do CCT e um assessor especial da Ministra de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação. Contou com a participação de representantes dos seguintes órgãos e instituições: Secretaria de Articulação e Monitoramento da Casa Civil da Presidência da República (SAM/CC/PR), Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), Ministério das Relações Exteriores (MRE), CGEE, Confederação Nacional da Indústria (CNI) e acadêmicos. [PAGE 16] 14 CCT, especialistas em IA, representantes de instituições públicas de Tecnologia da Informação (TI), do setor privado, sociedade civil, governo federal, e órgãos de regulação e controle. Nestas oficinas os participantes compartilharam perspectivas sobre visão de futuro, aplicações potenciais e necessidades específicas de cada setor. Paralelamente, foram conduzidas mais de 30 reuniões bilaterais com instituições públicas e privadas, visando a identificar e desenhar iniciativas concretas de aplicação de IA em áreas prioritárias, com o objetivo de enfrentar gargalos específicos e de relevância para a população brasileira. Esse processo, que contou com a participação ativa de 117 instituições públicas, privadas e da sociedade civil, assegurou que o PBIA fosse construído sobre uma base sólida de conhecimento técnico, alinhado às demandas reais dos diversos setores da sociedade e do governo. O resultado desse processo foi uma proposta de Plano Brasileiro de Inteligência Artificial que representa um compromisso ambicioso e necessário com o futuro do Brasil. O PBIA visa a desenvolver e implementar tecnologias de IA que impulsionem o progresso econômico e tecnológico do País, atendendo simultaneamente às necessidades reais da população brasileira e respeitando nossa diversidade e valores culturais. O PBIA propõe a criação de um ecossistema de inovação responsável, onde o desenvolvimento tecnológico e as considerações éticas e sociais caminham lado a lado. Com essa abordagem, o Brasil se posiciona na vanguarda do desenvolvimento de IA, servindo como um exemplo global de utilização dessa tecnologia em benefício de toda a sociedade. Nos capítulos seguintes, está detalhado como essa visão se traduz em ações concretas para realizar o potencial transformador de uma IA para o Bem de Todos. [PAGE 17] IA para o bem de todos Plano Brasileiro de Inteligência Artificial 15 1. O contexto da inteligência artificial no mundo e no Brasil 1.1. O que é inteligência artificial? Para os propósitos deste Plano, define-se inteligência artificial como o conjunto de modelos, algoritmos, técnicas e metodologias que podem ser implementados como sistemas computacionais que produzem resultados como previsões, classificações, recomendações e decisões, a partir de processos de aprendizagem baseados em grande volume de dados 3, com potencial para influenciar ambientes físicos e virtuais. Podemos destacar as seguintes características típicas desses sistemas baseados em inteligência artificial: • operam com diferentes graus de autonomia para atingir objetivos definidos explícita ou implicitamente; • utilizam insumos (p.ex., dados) gerados por máquinas (p.ex., sensores, câmeras) e/ou humanos para perceber e analisar ambientes; • constroem modelos abstratos a partir desses insumos por meio de uma variedade de processos e técnicas de treinamento automatizados em diferentes graus; • aplicam esses modelos a diferentes cenários, para realizar inferências, gerar informações (p.ex., previsões, recomendações), executar ações ou apoiar a tomada de decisões; • podem ser especializados em tarefas de variado grau de especificidade, desde atividades peculiares a sistemas de propósito geral, capazes de realizar uma gama de trabalhos: e • incluem subtipos como IA generativa, capazes de gerar, modificar significativamente ou sintetizar diversos tipos de conteúdo, incluindo texto, imagens, áudio, vídeo e código de software, muitas vezes de forma indistinguível do conteúdo produzido por humanos. Esta combinação de análise e modelagem de dados com alto poder computacional confere à IA um potencial transformador sem precedentes, capaz de transformar diversos setores da sociedade e da economia. 1.2. O potencial transformador da inteligência artificial A inteligência artificial representa uma das forças tecnológicas mais transformadoras de nosso tempo, com potencial para remodelar praticamente todos os setores da atividade humana. A emergência da IA generativa, capaz de gerar conteúdos significativos, novos ou aperfeiçoados a partir de dados existentes, amplia ainda mais esse potencial transformador. A IA já está reformulando setores inteiros, desde a educação até o entretenimento, exigindo uma reavaliação contínua das políticas públicas para garantir que seu uso seja benéfico e ético. A disponibilização de múltiplos modelos de IA generativa para uso público a partir de 2022 marcou um momento crucial na evolução da inteligência artificial. Tais modelos atraíram milhões de usuários em poucos dias, demonstrando o amplo interesse e a acessibilidade da IA generativa para o público geral. Se, por um lado, as capacidades de geração de conteúdo demonstradas por esses modelos levaram a uma 3 É comum ser baseado em grandes volumes de dados, mas não se trata de condição necessária para a IA. [PAGE 18] 16 percepção de que o mundo está diante de uma nova “revolução tecnológica”, por outro, a inteligência artificial não é de fato um fenômeno novo. Suas raízes estão no desenvolvimento inicial da computação nos anos 1940 e 1950 (Figura 1 ), consolidando-se nos anos 1980-1990, e se desenvolvendo de maneira acelerada a partir do início do século XXI. Primórdios Anos 1940: Alan Turing propõe a ideia de “máquinas que podem pensar” e introduz o conceito teórico da “Máquina de Turing”. 1950: Turing publica “Computing Machinery and Intelligence ”, propondo o Teste de Turing. 1956: Conferência de Dartmouth cunha o termo “inteligência artificial”. Anos 1960-1970: Desenvolvimento de primeiros programas de IA, como ELIZA. Consolidação 1971: Lançamento do microprocessador Intel 4004, marcando um avanço significativo na capacidade de processamento. Anos 1980: Avanços em sistemas especialistas e redes neurais. 1997: Deep Blue da IBM derrota o campeão mundial de xadrez Garry Kasparov. Anos 1990-2000: Desenvolvimento de algoritmos de aprendizado de máquina, aumento do poder computacional e acesso a grandes quantidades de dados. Era Moderna 2006: NVIDIA lança a plataforma CUDA, permitindo o uso de GPUs para aprendizado profundo. 2010: Início de avanços significativos em deep learning . 2012: Rede neural AlexNet vence a competição ImageNet usando GPUs. 2016: Google lança a Tensor Processing Unit (TPU); AlphaGo derrota Lee Sedol no Go. 2022: OpenAI lança ChatGPT, tornando a IA acessível ao público em geral. 2025: Lançamento do modelo de IA chinês que revolucionou o mercado com custos reduzidos de operação e menor uso de recursos computacionais em relação à concorrência. Figura 1 – Dos primórdios à Era Moderna: uma linha do tempo da inteligência artificial Fonte: Elaboração própria Revoluções tecnológicas são verdadeiras “constelações interdependentes de inovações técnicas” muito mais amplas e profundas do que tecnologias revolucionárias individuais, e incluem uma tecnologia de aplicação pervasiva (por exemplo, motor de combustão interna ou, no caso atual, microprocessadores) e um insumo barato (por exemplo, petróleo ou dados). Elas moldam não apenas a economia, mas também as estruturas governamentais e a própria sociedade, produzindo um novo “paradigma tecno- econômico” – isto é, a forma mais adequada de se aproveitar o potencial da revolução tecnológica em curso. Compreender a dinâmica de uma revolução tecnológica é essencial para que países emergentes como o Brasil possam identificar e aproveitar as janelas de oportunidade que surgem, permitindo acelerar seus processos de desenvolvimento e reduzir a defasagem em relação aos países líderes. Essas janelas se modificam à medida que as tecnologias evoluem, exigindo estratégias ágeis e flexíveis. Nessa transição, abrem-se simultaneamente duas janelas: o rejuvenescimento de setores maduros, impulsionado pela rápida absorção das novas tecnologias em suas fases iniciais, e o surgimento de novas aplicações tecnológicas, que frequentemente criam, no processo, novos setores industriais (Perez, 2001 ). Para aproveitá-las, os países em desenvolvimento precisam fortalecer suas capacidades tecnológicas, humanas e gerenciais, além de adotar novos modelos organizacionais e estabelecer parcerias estratégicas. A experiência asiática recente demonstra que o Estado desempenha um papel fundamental na articulação desse processo de desenvolvimento, atuando de forma descentralizada e sinérgica com os demais atores públicos e privados para promover o aprendizado, a inovação e os investimentos necessários. [PAGE 19] IA para o bem de todos Plano Brasileiro de Inteligência Artificial 17 O contexto da inteligência artificial no mundo e no Brasil Entretanto, o processo de transformação disruptiva traz também múltiplos impactos da IA sobre a sociedade. Primeiramente, a IA tem o potencial de transformar profundamente a democracia e a integridade da informação. Ela pode tanto fortalecer processos democráticos por meio de análises mais precisas de dados que ajudam a aperfeiçoar a entrega de serviços e bens públicos, quanto representar riscos à democracia, exigindo vigilância constante contra a disseminação de desinformação que afeta a percepção dos cidadãos sobre a realidade social. A relação homem-máquina e as questões éticas associadas são também críticas, pois redefinem interações e atribuições, enquanto trazem à tona questões sobre justiça, transparência, autonomia, responsabilidade, amparo a questões éticas e valores humanos, entre outras (Meira, 2024). Por exemplo, se modelos de inteligência artificial são capazes de tomar decisões autônomas e colocá-las em prática, quem é legalmente responsável por decisões equivocadas? Quando essas decisões envolvem custos de oportunidade ou aspectos éticos, como a máquina deve pesá-los em seus processos decisórios? Essas questões normativas extrapolam o escopo tecnológico e adentram campos da filosofia, sociologia e direito. O desenvolvimento acelerado da IA demanda marcos regulatórios ágeis que garantam seu uso ético e seguro, protegendo organizações e consumidores finais sem inibir a inovação. De maneira semelhante, nas áreas de educação e trabalho, a IA oferece oportunidades de personalização do ensino e do aprendizado contínuo, mas desafia estruturas tradicionais de emprego, exigindo adaptação e requalificação (ABC, 2023). Entender a dinâmica das revoluções tecnológicas é também importante quando se trata dos efeitos de novas tecnologias sobre empregos e ocupações. Historicamente, as revoluções industriais-tecnológicas suscitam preocupações sobre o desemprego tecnológico. Este fenômeno é recorrente desde a primeira revolução industrial, que desencadeou o movimento ludista no início do século XIX (Perez; Leach, 2022). Analisando publicações das décadas de 1920 e 1930, período marcado pela revolução da produção em massa, observa-se uma retórica similar de apreensão quanto às tecnologias de automação mecânica. 4 Contudo, nas duas décadas subsequentes, essas mesmas inovações tecnológicas contribuíram significativamente para o advento da era conhecida como “Anos Dourados” do capitalismo. Este período foi caracterizado por indicadores econômicos notavelmente positivos: níveis de ocupação dos trabalhadores próximos ao pleno emprego; aumento substancial dos salários reais; concomitantemente ao crescimento dos lucros empresariais. Foi neste período, inclusive, que o Brasil se industrializou e cresceu de maneira acelerada. A trajetória histórica sugere um padrão: após um período inicial de apreensão, as sociedades tendem a se adaptar às novas tecnologias, frequentemente resultando em benefícios econômicos e sociais abrangentes. Este processo de adaptação envolve a reconfiguração do mercado de trabalho, o desenvolvimento de novas habilidades e a criação de setores econômicos anteriormente inexistentes. O paralelo histórico entre a IA e outras inovações disruptivas, como a introdução dos plásticos na década de 1930 ou a eletrificação no final do século XIX, oferece lições valiosas. Essas tecnologias, inicialmente vistas como ameaças ao emprego em setores estabelecidos, acabaram por gerar novas indústrias e oportunidades de trabalho. É importante notar, contudo, que a transição raramente é uniforme ou sem desafios. Este processo requer uma abordagem proativa na formulação de políticas públicas que facilitem a transição, promovam a 4 Dados da Web of Science mostram que o termo “desemprego tecnológico” surgiu em publicações científicas em 1930, teve um pico até 1942, depois caiu em desuso, ressurgindo brevemente nos anos 1960 e ganhando força novamente apenas a partir dos anos 2000. O Google Ngram Viewer mostra padrão similar em livros, com picos em 1933 e após 2010. [PAGE 20] 18 requalificação da força de trabalho e estimulem a inovação em setores emergentes. Tais políticas são essenciais para que países e regiões aproveitem as janelas de oportunidade tecnológica abertas durante períodos de transformação, maximizando os benefícios socioeconômicos e minimizando os impactos negativos dessas mudanças. Outro aspecto crítico é o impacto da IA sobre o meio ambiente e sustentabilidade ambiental. Os efeitos são duais e por vezes contraditórios. Por um lado, a IA oferece ferramentas para monitoramento ambiental, otimização do uso de recursos em processos produtivos, e eficiência de sistemas de energia. Por outro, modelos de IA levantam preocupações sobre consumo energético e de recursos hídricos. Segundo estimativas da Agência Internacional de Energia (IEA), em 2026, data centers serão responsáveis por cerca de 6% do consumo total de eletricidade nos Estados Unidos da América (EUA), 5% na União Europeia e 3% na China, e por 18% na Dinamarca e 30% na Irlanda (WEF, 2024). Devido à necessidade de água para refrigerar infraestruturas de computação e armazenamento de dados, estima- se que a cada sessão interativa com o modelo GPT-3 (10-50 perguntas e respostas) consome meio litro de água fresca. O consumo de água para resfriamento dos data centers do Google, estimado em 19 bilhões de litros de água em 2022 (Berreby, 2024), é comparável ao de uma cidade de 150 a 200 mil habitantes (Florianópolis com 500 mil habitantes, por exemplo, consome cerca de 25 bilhões de litros de água por ano). Outro fator que deve ser considerado ao avaliar o impacto da IA no meio ambiente é o potencial dano ambiental gerado pela fabricação de computadores, bem como o descarte de resíduos eletrônicos provenientes de máquinas obsoletas. Soberania tecnológica e cooperação internacional emergem como temas centrais, com países buscando autonomia estratégica e reconhecendo a necessidade de colaboração global. Nesse contexto, questões relacionadas à segurança de dados e aos modelos construídos a partir deles ganham nova dimensão, exigindo novos arcabouços para proteção de propriedade intelectual e privacidade individual. A IA tem profundas implicações para direitos humanos e inclusão, podendo ampliar oportunidades ou exacerbar desigualdades (Lamb, 2024). Sistemas de IA que exibem vieses raciais, como carros autônomos com dificuldades em reconhecer pedestres negros, evidenciam riscos de perpetuação de injustiças históricas. Modelos de linguagem com viés de gênero também ameaçam reforçar estereótipos prejudiciais. Ademais, o acesso desigual à infraestrutura e recursos para desenvolvimento de IA pode aprofundar o fosso tecnológico entre nações, ampliando disparidades globais. Essas questões, somadas aos desafios de segurança cibernética, exigem abordagens inovadoras e colaborativas para assegurar um futuro digital mais equitativo e resiliente. Esses impactos críticos da IA ilustram a amplitude e a profundidade de sua influência na sociedade contemporânea. Eles ressaltam a necessidade de uma abordagem holística e estratégica para o desenvolvimento e a implementação da IA, que considere não apenas seus benefícios potenciais, mas também os desafios éticos, sociais, ambientais e econômicos que ela apresenta. Diante desses impactos, é fundamental desenvolver uma estrutura robusta de governança e regulação ética para a IA. Isso inclui a criação de marcos regulatórios que promovam a inovação responsável, garantam a proteção de direitos individuais e coletivos, e estabeleçam padrões éticos para o desenvolvimento e uso de sistemas de IA, que, ao mesmo tempo, devem satisfazer requisitos cada vez mais complexos de segurança e robustez. À medida que avançamos na era da IA, é imperativo que governos, empresas e sociedade civil trabalhem juntos para moldar um futuro em que a IA seja verdadeiramente uma força para o bem comum. [PAGE 21] IA para o bem de todos Plano Brasileiro de Inteligência Artificial 19 O contexto da inteligência artificial no mundo e no Brasil 1.3. Janelas de oportunidades para o Brasil Aproveitando o impulso global da integração da IA em diversas esferas da atividade humana, o Brasil se apresenta como um terreno fértil para a apropriação, adoção e adaptação dessas tecnologias. O País possui vantagens únicas que podem ser exploradas para impulsionar o desenvolvimento tecnológico, e para promover o crescimento econômico inclusivo e melhorar a qualidade de vida da população. Abrem-se, assim, janelas de oportunidades para o Brasil se destacar e avançar no campo da inteligência artificial, especialmente nas seguintes áreas: • IA sustentável com matriz energética limpa: a matriz energética predominantemente renovável do Brasil oferece uma vantagem competitiva única para o desenvolvimento de IA sustentável. O País pode se posicionar como líder em data centers e infraestrutura de IA de baixo impacto ambiental, atraindo investimentos e promovendo inovações em computação verde e eficiência energética em IA. Importante ressaltar que a IA sustentável vai além do uso de energia limpa, demandando novos mecanismos e tecnologias de hardware e software que promovam o uso racional de energia e sua adequação à realidade do País; • IA para meio ambiente e biodiversidade: a vasta diversidade ambiental do Brasil, combinada com desafios de preservação, cria oportunidades únicas para aplicações de IA em monitoramento ambiental e na gestão sustentável de recursos; • IA na saúde pública e no SUS: o Sistema Único de Saúde (SUS), um dos maiores sistemas de saúde pública do mundo, oferece uma oportunidade para aplicações de IA em larga escala. O vasto volume de dados de saúde gerados pelo SUS pode impulsionar soluções inovadoras para melhorar diagnósticos, otimizar recursos, prever surtos de doenças e personalizar tratamentos, além de atuar de forma pervasiva e personalizada em prevenção de doenças e qualidade de vida para a população como um todo, potencialmente servindo como modelo global. O perfil genético da população brasileira é outro ativo intangível estratégico que pode beneficiar o desenvolvimento de aplicações de IA na área da medicina e biotecnologia; • IA na agricultura: como um dos principais produtores agrícolas globais, o Brasil pode utilizar IA para aumentar a produtividade, sustentabilidade e competitividade do setor. Importante mencionar que a IA pode trazer benefícios em toda a cadeia de valor da produção de alimentos, da análise dos solos à logística de distribuição e comercialização, passando pelo acompanhamento das safras e o impacto de outros fatores, como clima e umidade; • IA para inclusão social e redução de desigualdades: o potencial da IA para melhorar acesso a serviços essenciais e criar oportunidades econômicas pode ajudar a abordar desafios sociais persistentes; • Desenvolvimento de modelos de IA em português: a posição do Brasil como o maior país lusófono oferece uma oportunidade única para liderar o desenvolvimento de IA em português, beneficiando uma comunidade global. Tal oportunidade se estende também para modelos de IA que contemplem as línguas dos povos originais; • Desenvolvimento de soluções de IA para problemas locais: a capacidade de criar soluções adaptadas às necessidades específicas do Brasil pode gerar inovações relevantes para outros países em desenvolvimento; [PAGE 22] 20 • Aplicação de IA na administração pública: o tamanho continental do Brasil e a vasta quantidade de dados governamentais oferecem um terreno fértil para otimizar processos e melhorar serviços públicos por meio da IA; • Pesquisa e desenvolvimento em IA: a existência de centros de pesquisa em IA e a colaboração entre academia, governo e indústria criam um ambiente propício para avanços tecnológicos; e • Formação e retenção de talentos em IA: o mercado de trabalho em expansão e o interesse crescente em IA oferecem oportunidades para desenvolver uma força de trabalho especializada. Apesar da propensão da população brasileira para a adoção de novas tecnologias, é importante problematizar essa característica (Cetic.br, 2023a). Conforme destacado no relatório da Academia Brasileira de Ciências (ABC) (ABC, 2023), o contexto brasileiro é crítico: apenas uma pequena parcela da população tem acesso à educação de qualidade. Isso impacta diretamente a capacidade do País de desenvolver e implementar avanços tecnológicos substanciais. Ademais, existe uma disparidade notável entre a presença de pesquisadores brasileiros de renome internacional em IA e a capacidade do País de traduzir esse conhecimento em inovações aplicáveis em larga escala. Essa lacuna entre excelência acadêmica e implementação prática representa um obstáculo para a adoção generalizada e eficaz de tecnologias de IA no Brasil. Para que o País possa efetivamente se beneficiar da IA, é fundamental desenvolver um conjunto de políticas que não apenas promova a inovação tecnológica, mas também aborde as desigualdades educacionais e socioeconômicas existentes. Isso inclui investimentos em educação tecnológica, desenvolvimento de infraestrutura digital e políticas que facilitem a disseminação e aplicação do conhecimento em IA de forma mais ampla e inclusiva na sociedade brasileira. Assim, para maximizar os benefícios da IA, é importante que seu desenvolvimento seja guiado por uma estratégia nacional soberana, alinhada aos interesses da população brasileira. Isso requer uma abordagem que considere não apenas os aspectos técnicos, mas também os impactos sociais, éticos e econômicos da tecnologia (ABC, 2023). O Brasil enfrenta uma corrida contra o tempo para aproveitar as janelas de oportunidade existentes. Para isso, é necessário estabelecer uma estrutura de coordenação estratégica, desenvolver capacidades tecnológicas e infraestrutura adequada, adotar novos modelos regulatórios e organizacionais, e estabelecer parcerias estratégicas internacionais (Meira, 2024; ABC, 2023). A liderança estatal na promoção de parcerias e sinergias entre diferentes atores do ecossistema de inovação tem um papel-chave, tanto no campo da regulação e governança da IA, como no fomento e indução ao investimento privado. 1.4. Aspectos econômicos da IA e desafios para aplicação na indústria brasileira A inteligência artificial apresenta grande potencial de impulsionar diversos setores da economia, não apenas em sua própria cadeia produtiva, mas também em setores correlatos. A cadeia de valor da IA é complexa e abrangente. Engloba hardware, infraestrutura de dados e aplicações. No âmbito do hardware, inclui-se a produção de chips especializados, processadores, data centers e equipamentos de rede. A infraestrutura de dados compreende soluções de armazenamento, processamento e gerenciamento de dados (incluindo aspectos de curadoria, de segurança e de privacidade), bem como plataformas de computação em nuvem e ferramentas para desenvolvedores. Um componente fundamental é o software, [PAGE 23] IA para o bem de todos Plano Brasileiro de Inteligência Artificial 21 O contexto da inteligência artificial no mundo e no Brasil que compreende desde ambientes de desenvolvimento, bibliotecas, sistemas de tempo de execução, implementações de modelos e algoritmos, ao que genericamente denominamos pilha de software e que é utilizada para desenvolvimento de aplicações. O software inclui as plataformas de execução, monitoramento, gerenciamento, manutenção e evolução dos vários componentes mencionados, que são utilizados para as atividades de MLOps5. Também se incluem na cadeia de valor as redes de transmissão (físicas e sem fio) de alta velocidade. Já as aplicações abrangem uma vasta gama de soluções baseadas em IA para empresas e consumidores finais. A IA generativa, um segmento em rápida expansão, possui uma cadeia de valor própria que se sobrepõe e complementa a cadeia mais ampla da IA. Esta inclui hardware otimizado para treinamento e inferência de modelos, plataformas de nuvem que fornecem recursos computacionais elásticos e em larga escala, modelos fundacionais que servem como base para aplicações específicas, hubs de modelos e ferramentas de MLOps (que nesse cenário já estão sendo denominadas LMOps) para gerenciamento, otimização, auditoria, rastreamento e monitorização, além de aplicações finais e serviços especializados. Um ecossistema de IA estruturado e robusto cria transbordamentos que estimulam inovações e desenvolvimentos em diversos segmentos tecnológicos e setores econômicos. O impacto econômico da IA já é significativo e promete crescer exponencialmente. Além dos robustos investimentos privados, diversos países têm anunciado aportes públicos significativos em IA. Enquanto em 2017, apenas alguns países tinham estratégias nacionais de IA, em 2024, contam-se mais de 50 iniciativas nacionais estratégicas e governamentais sobre como orientar de forma abrangente o desenvolvimento e a implantação de IA confiável, conforme contabilizado em relatório do Observatório de Políticas de IA da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) (OECD, 2021; 2023). Em nível geral, este Observatório da OCDE registra em sua base de dados mais de mil políticas e iniciativas relacionadas à IA em 70 países. Não obstante os esforços públicos de investimento, é a indústria que assume atualmente a liderança na pesquisa de IA – o que tradicionalmente era domínio da academia (Eastwood, 2023). Isso ocorre porque a indústria possui maior poder computacional e acesso a grandes volumes de dados, o que habilita a contratação de talentos, o desenvolvimento de benchmarks líderes de mercado em IA e a continuação do investimento em pesquisa. No mundo, aproximadamente 70% dos indivíduos com um doutorado em inteligência artificial conseguem empregos na indústria privada hoje, em comparação com 20% duas décadas atrás (Eastwood, 2023). Em 2023, a indústria produziu 51 modelos notáveis de aprendizado de máquina, enquanto a academia contribuiu individualmente com apenas 15 – outros 21 foram desenvolvidos em parceria entre indústria e academia (Maslej, 2024). No entanto, é importante notar que a academia ainda desempenha um papel fundamental na pesquisa de IA, fornecendo um ambiente com a liberdade de explorar e inovar. A migração de talentos da academia para a indústria traz consigo uma contradição: ainda que desejável do ponto de vista da competitividade econômica, é também uma preocupação, pois pode ameaçar a capacidade da academia de continuar a inovar e formar a próxima geração de pesquisadores de IA. Por outro lado, o próprio desenvolvimento de aplicações de inteligência artificial vem contribuindo para o progresso científico (Maslej, 2024). No Brasil, observa-se um número crescente de iniciativas voltadas para a aplicação e o desenvolvimento de ferramentas de IA por empresas privadas e estatais (Tabela 1 ). 5 MLOps (Machine Learning Operations) é um conjunto de práticas e processos para gerenciar o ciclo de vida dos sistemas que implementam modelos e algoritmos de aprendizado de máquina, de forma que esses modelos sejam projetados, desenvolvidos, testados e implantados de forma consistente e confiável. [PAGE 24] 22 Tabela 1 – Iniciativas de aplicação e desenvolvimento de ferramentas de IA por empresas privadas e estatais no Brasil Iniciativa Empresa/ Instituição Área Descritivo ApoIA Startups - Educação OpenAI e Fundação Lemann Educação Apoio a startups com incentivo para criação de soluções educacionais de IA Projeto Libras Lenovo Desenvolvimento Social IA para inclusão digital para deficientes auditivos ChatGPT4 nas Naves do Conhecimento OpenAI e Prefeitura do Rio Desenvolvimento Social IA acessível em comunidades de baixa renda do Rio Combate à desinformação OpenAI, UFBA e FGV-RJ Desenvolvimento Social Combate à desinformação online no Brasil com auxílio de IA Plataforma Acolhimento WideLabs Desenvolvimento Social IA para facilitar o processo de adoção infantil Monitoramento da Amazônia OpenAI e UFAM Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade Sistema com IA para combater o desmatamento e impulsionar sustentabilidade Batimentos cardíacos da Floresta Amazônica - IA Stefanini Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade Solução de IA para monitorar qualidade do ar, da água e detecção de incêndios florestais na Amazônia Menos fraudes em transações Banco do Brasil Indústria, Comércio e Serviços Modelos de IA para análise de comportamento de clientes Prova de Vida Banco do Brasil Indústria, Comércio e Serviços Verificação anual automatizada de atividade de beneficiários via IA Pequeno Negócio + IA Banco do Brasil Indústria, Comércio e Serviços Solução com IA para atendimento personalizado a MPEs Otimização do Sistema Financeiro de Habitação Caixa Econômica Federal Indústria, Comércio e Serviços Solução com IA para otimizar processos e garantir a quitação de saldos dos contratos do SFH IA para Soução de Habitação da Caixa Caixa Econômica Federal Indústria, Comércio e Serviços Solução de IA para área de crédito imobiliário, permitindo a oferta de melhores serviços à população Maritalk AI Maritaca AI Indústria, Comércio e Serviços Chatbot em português e espanhol para América Latina BERTimbau NeuralMind Indústria, Comércio e Serviços Modelo de linguagem em português lider na HuggingFace Combate a fraude financeira Stefanini Indústria, Comércio e Serviços IA para detecção de fraudes em tempo real IA na indústria do aço Stefanini Indústria, Comércio e Serviços IA para eficiência e segurança na indústria siderúrgica Wide Jurídico WideLabs Indústria, Comércio e Serviços IA para automação de tarefas jurídicas Fonte: Elaboração própria a partir de informações fornecidas pelas empresas Não obstante o notável número de iniciativas de desenvolvimento e uso de IA por empresas brasileiras, o contexto é particularmente desafiador. Embora o Brasil figure entre os vinte primeiros países em alguns rankings de IA, principalmente devido à produção acadêmica, o País enfrenta uma escassez crítica de profissionais qualificados e uma fuga de cérebros expressiva. A disparidade entre a produção acadêmica e a capacidade de inovação aplicada é evidente, com a maioria das patentes de IA no Brasil baseadas em tecnologias estrangeiras. Sem investimentos adequados e políticas públicas eficazes, o País corre o risco de um declínio tecnológico acelerado (ABC, 2023). [PAGE 25] IA para o bem de todos Plano Brasileiro de Inteligência Artificial 23 O contexto da inteligência artificial no mundo e no Brasil Para superar esse desafio, é essencial investir na formação e capacitação de profissionais em IA, desde o nível técnico até a pós-graduação. Em paralelo, é necessário promover a popularização do conhecimento sobre IA na sociedade, preparando desde cedo a população para as transformações tecnológicas em curso. Apesar desses desafios, há sinais de interesse e potencial na indústria brasileira para adoção de IA. Segundo um estudo da Embrapii realizado em 2021 com 164 empresas industriais (EMBRAPII, 2021 ), a grande maioria (76%) percebe a IA como uma tecnologia que trará um impacto disruptivo em seus setores de atuação. Além disso, 95% teriam interesse em desenvolver projetos de P&D em IA em parceria com centros de pesquisa. Esse interesse da indústria parece ser motivado, em parte, pelo potencial da IA em aumentar a produtividade, um fator crucial considerando que a produtividade do trabalho no Brasil tem enfrentado declínios, com uma queda de 24% na indústria de transformação entre 2001 e 2021 (CNI, 2022). A IA pode aumentar significativamente a eficiência em diversos setores, por exemplo, por meio da otimização de processos industriais, previsão de demanda e manutenção preditiva na manufatura, do aumento da eficiência na cadeia de distribuição de alimentos, da análise automatizada de imagens médicas na saúde, personalização de experiências do cliente no varejo ou do apoio à tomada de decisões a partir da análise de dados históricos. E esta vantagem é particularmente promissora para micro, pequenas e médias empresas (MPME). Essas empresas frequentemente enfrentam desafios de produtividade e competitividade em relação às grandes corporações, devido a custos fixos mais elevados e economias de escala limitadas. Embora a adoção de IA por MPME possa ser dificultada por altos custos de implementação e acesso limitado a crédito, os benefícios potenciais em termos de aumento de eficiência e competitividade são substanciais. No entanto, é importante notar que a adoção e o impacto da IA na produtividade ainda estão em estágios iniciais. Conforme destacado pela OCDE (OCDE, 2024), a adoção de IA ainda é limitada em comparação com outras tecnologias digitais, concentrando-se em certos setores e grandes empresas. Barreiras como a escassez de poder computacional e de habilidades técnicas ainda precisam ser superadas. Por um lado, enquanto evidências em nível micro mostram ganhos de produtividade substanciais, por outro, os impactos macroeconômicos ainda são incertos e dependem de vários fatores. Entre esses fatores, destaca-se o papel crucial do setor público na criação de um ambiente propício para ganhos de produtividade em larga escala, através da redução da burocracia, melhoria da eficiência dos serviços governamentais, e implementação de políticas que facilitem a adoção e difusão de tecnologias inovadoras como a IA em toda a economia. A aplicação de IA no setor público em si representa uma oportunidade significativa para melhorar a eficiência e a qualidade dos serviços governamentais. Globalmente, governos estão explorando o uso de IA para otimizar processos administrativos, aprimorar a tomada de decisões baseada em dados e oferecer serviços mais personalizados aos cidadãos. Desde sistemas de detecção de fraudes até chatbots para atendimento ao público, a IA tem o potencial de transformar radicalmente a forma como os governos operam e interagem com a população. A IA também pode auxiliar na formulação de políticas públicas mais eficazes, analisando grandes volumes de dados para identificar padrões e tendências que orientem decisões estratégicas. No contexto brasileiro, o setor público já começou a dar passos importantes na adoção de IA, embora ainda haja um vasto potencial a ser explorado. Conforme resultados Pesquisa sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação no setor público brasileiro (TIC Governo Eletrônico 2023), 30% dos órgãos públicos federais e estaduais já fizeram uso de ao menos uma tecnologia de IA, com concentração nos poderes legislativo, judiciário e no ministério público (Cetic.br, 2023b). As aplicações mais comuns envolvem mineração de texto, predição e análise de dados, além da automação de processos. Os governos [PAGE 26] 24 executivos são os que fizeram menos uso de ferramentas de IA em seus serviços e processos, o que indica um potencial ainda a ser explorado. À luz do contexto atual da IA no mundo e especificamente no Brasil, as políticas públicas devem desenvolver ações ao longo de cinco grandes eixos: infraestrutura e desenvolvimento da IA; difusão, formação e capacitação em IA; IA para melhoria dos serviços públicos; IA para inovação empresarial; e apoio ao processo regulatório e de governança da IA. É crucial abordar questões de desigualdade por meio de educação, treinamento e redistribuição, além de desenvolver uma governança ágil que acompanhe o rápido avanço tecnológico. Em todos os setores, é fundamental garantir que a implementação de IA seja feita de forma ética e transparente, respeitando a privacidade dos cidadãos, evitando a perpetuação de vieses, e utilizando responsavelmente as vastas bases de dados estatais. Essas medidas são fundamentais para garantir que o potencial da IA seja aproveitado de maneira inclusiva e sustentável, beneficiando toda a população e pavimentando o caminho para uma “IA para o bem de todos”. [PAGE 27] IA para o bem de todos Plano Brasileiro de Inteligência Artificial 25 2. O que é uma IA para o Bem de Todos? O Brasil encontra-se em um momento singular de sua trajetória tecnológica, com a oportunidade de aproveitar as janelas de desenvolvimento abertas pelo impacto transformador da inteligência artificial. Como visto, o País possui características únicas que o posicionam de forma privilegiada neste cenário. No entanto, para que o potencial transformador da IA seja plenamente realizado e beneficie toda a sociedade brasileira, é fundamental que seu desenvolvimento e aplicação sejam guiados por princípios éticos e inclusivos. Nesse sentido, o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) propõe uma abordagem centrada no ser humano, alinhada aos interesses nacionais e à defesa do direito ao desenvolvimento, e orientada para a superação dos desafios sociais, ambientais e econômicos do País. Esta visão se materializa em cinco pilares que fundamentam uma “IA para o bem de todos”: I) Centrada no ser humano e acessível a todos, fundamentada no respeito à dignidade, aos direitos sociais, à diversidade cultural, regional e dos povos, e à valorização do trabalho e dos trabalhadores, prevenindo a desigualdade e vieses discriminatórios. Uma “IA para o bem de todos” coloca o ser humano no centro de seu desenvolvimento e aplicação. Os sistemas de IA devem ser projetados para complementar, ampliar e aprimorar as capacidades humanas, não para substituí-las. A acessibilidade é fundamental, garantindo que os benefícios da IA não se limitem apenas aos cidadãos de países desenvolvidos ou a grupos privilegiados, mas alcancem cidadãos de todos os países e todas as camadas da sociedade, incluindo populações marginalizadas e sub-representadas. Esta abordagem requer um foco constante na inclusão digital e na redução de desigualdades no acesso à tecnologia e em relação ao desenvolvimento de habilidades e competências necessárias para um uso responsável e seguro da IA, ou seja, de forma que as pessoas saibam avaliar adequadamente os riscos e benefícios. Além disso, as aplicações de IA devem respeitar e promover a diversidade cultural, regional e étnica, evitando vieses discriminatórios em seus algoritmos e aplicações. Para além de medidas regulatórias, uma forma de assegurar estes valores é promover a participação ativa de diversos grupos na concepção, desenvolvimento, implantação e governança de sistemas de IA, assegurando que diferentes perspectivas e necessidades sejam consideradas. II) Orientada à superação de desafios sociais, ambientais e econômicos, aumentando o bem- estar e contribuindo para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A “IA para o bem de todos” deve ser direcionada para resolver problemas concretos da sociedade, contribuindo para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas. Para tanto, é possível vislumbrar o desenvolvimento de aplicações de IA em áreas como saúde pública, educação de qualidade, combate à pobreza, sustentabilidade ambiental, mitigação e adaptação às mudanças climáticas, ou transição energética. Além disso, é fundamental que a própria cadeia da IA seja sustentável, otimizando o uso de recursos energéticos e hídricos em sua infraestrutura computacional e data centers, de modo que a IA atue como um vetor da sustentabilidade e não como um obstáculo. O desenvolvimento de soluções de IA energeticamente eficientes e a aplicação dessas tecnologias na gestão inteligente de recursos podem contribuir significativamente para a transição energética e o aumento da resiliência às mudanças climáticas. No contexto brasileiro, a IA pode ser particularmente valiosa para enfrentar desafios como o monitoramento e preservação da Amazônia, a otimização de sistemas de transporte urbano, a melhoria da eficiência na [PAGE 28] 26 agricultura, a expansão e consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS), a promoção da segurança pública, ou o aprimoramento da prestação dos diversos serviços públicos. É crucial que essas aplicações sejam desenvolvidas com uma compreensão profunda dos contextos locais e em colaboração com as comunidades afetadas, garantindo que as soluções sejam verdadeiramente eficazes e sustentáveis. III) Fundamentada no direito ao desenvolvimento e soberania nacional, promovendo a autonomia tecnológica e a competitividade econômica. Uma “IA para o bem de todos” deve promover o desenvolvimento tecnológico e econômico do País, fortalecendo sua autonomia e competitividade no cenário global. Isso implica investimentos significativos em pesquisa e desenvolvimento de IA, formação de talentos locais e criação de um ecossistema de inovação robusto. A soberania nacional no contexto da IA envolve o desenvolvimento de capacidades próprias ao longo da cadeia produtiva e de inovação da IA, bem como em áreas estratégicas de aplicação, como saúde, educação, segurança, meio ambiente, indústria ou gestão pública. É importante que o País tenha controle sobre seus dados e das tecnologias críticas, reduzindo a dependência de soluções estrangeiras e se precavendo de potenciais medidas de cerceamento tecnológico. Ao mesmo tempo, deve-se buscar um equilíbrio entre a proteção dos interesses nacionais e a participação em colaborações internacionais mutuamente benéficas. Por um lado, tais colaborações devem contribuir para a aceleração do progresso tecnológico e científico do País para o domínio da IA. Por outro, é fundamental que essas colaborações fomentem o avanço científico e tecnológico de países em desenvolvimento, com especial atenção às nações da África e América Latina, promovendo assim uma distribuição mais equitativa do conhecimento, do acesso a infraestruturas críticas, e das oportunidades que se abrem na era da inteligência artificial. IV) Transparente, rastreável e responsável, garantindo intrinsecamente a privacidade e soberania de dados, a segurança cibernética, a proteção do consumidor, a propriedade intelectual, os direitos autorais e os que lhe são conexos. A transparência é fundamental para construir e manter a confiança pública na IA. Os sistemas de IA devem ser desenvolvidos e operados de forma que suas decisões e processos possam ser explicados e compreendidos por especialistas e leigos. Promover a transparência requer, por exemplo, a divulgação clara de como os dados são coletados, processados e utilizados, ou dos critérios utilizados nas tomadas de decisão automatizadas. A rastreabilidade garante que as ações e decisões da IA possam ser auditadas, permitindo a identificação e correção de erros ou vieses, bem como a atribuição de responsabilidade. Importante ressaltar a dificuldade técnica associada à atribuição de responsabilidade sobre resultados gerados por sistemas baseados em IA, uma vez que, em teoria, quaisquer dos componentes da cadeia de valor da IA possam ter responsabilidade no resultado. Nesse sentido, responsabilidade implica que haja mecanismos claros de prestação de contas, permitindo a identificação de quem é responsável pelas decisões tomadas por sistemas de IA. Isso é particularmente crucial em aplicações de alto risco, como nas áreas de mobilidade autônoma, saúde ou segurança pública. Além disso, a proteção da privacidade individual, da propriedade intelectual e autoral sobre textos, imagens ou áudios, por exemplo, e da soberania dos dados deve ser uma prioridade, com a implementação de robustas medidas de segurança cibernética. A propriedade intelectual relacionada à IA em si também deve ser protegida de forma que incentive a inovação, mas não à custa do interesse público. [PAGE 29] IA para o bem de todos Plano Brasileiro de Inteligência Artificial 27 O que é uma IA para o Bem de Todos? De forma mais ampla, esses e outros princípios têm sido agrupados no que se denomina IA responsável, que pode ser definido como o conjunto de processos, métodos e técnicas para projetar, desenvolver, usar e implantar sistemas de IA que sejam éticos, confiáveis e benéficos para a sociedade. Ela visa a criar soluções de IA que sejam justas, confiáveis e transparentes, respeitando os valores humanos. Alguns princípios típicos de IA responsável são: • Justiça: garantir que os sistemas de IA não tratem as pessoas de forma injusta, especialmente grupos sub-representados; • Transparência: garantir que os sistemas de IA sejam transparentes e explicáveis, ou seja, os resultados por eles gerados sejam interpretáveis por humanos; • Confiabilidade: garantir que os sistemas de IA sejam robustos e seguros, no sentido de não serem suscetíveis a ações maliciosas, por exemplo; • Privacidade e segurança: garantir que os sistemas de IA protejam a privacidade e a segurança dos usuários, de forma que previnam qualquer dano aos usuários e à sociedade; e • Inclusão: garantir que os sistemas de IA sejam inclusivos e beneficiem a todos. V) Cooperativa globalmente em bases justas e mutuamente benéficas, induzindo o progresso da humanidade, a proteção da integridade da informação e a defesa da democracia. Uma “IA para o bem de todos” reconhece que os desafios e oportunidades apresentados pela tecnologia são globais por natureza. Portanto, é essencial promover a cooperação internacional em pesquisa, desenvolvimento e governança de IA. Esta cooperação deve ser baseada em princípios de equidade e benefício mútuo, respeitando a soberania e as prioridades de desenvolvimento de cada nação. A colaboração global é crucial para abordar questões como a regulamentação da IA, o compartilhamento de dados (e a taxação de fluxos de dados), a padronização tecnológica e a mitigação de riscos globais. Ao mesmo tempo, é importante que essa cooperação fortaleça, e não prejudique, a integridade da informação, a democracia e a segurança nacional dos países participantes. A “IA para o bem de todos” deve contribuir para o progresso da humanidade como um todo, promovendo o intercâmbio de conhecimentos e melhores práticas entre nações para superação de desafios globais e nacionais. Alcançar este objetivo requer esforços para reduzir a disparidade tecnológica entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, garantindo que os benefícios da IA sejam distribuídos de forma mais equitativa. [PAGE 31] IA para o bem de todos Plano Brasileiro de Inteligência Artificial 29 3. Plano de ação 3.1. Premissas e objetivo O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial se baseia em dez premissas fundamentais que orientam sua estruturação e implantação: 01) Foco no bem-estar social: Como a IA pode melhorar a vida das pessoas? Priorizando ações que contribuam para a inclusão social e redução das desigualdades, garantindo que os benefícios da IA alcancem toda a sociedade brasileira; 02) Geração de capacidades e capacitações nacionais: investir em infraestrutura, pesquisa, desenvolvimento, inovação e formação de talentos brasileiros em IA; 03) Soberania tecnológica e de dados: desenvolver capacidades nacionais em IA para garantir a autonomia tecnológica e a competitividade econômica do Brasil; 04) Alinhamento estratégico com políticas governamentais, com destaque para a Nova Indústria Brasil (NIB): integrar a IA às políticas governamentais, especialmente à Nova Indústria Brasil (NIB), potencializando o uso da IA como ferramenta transversal para impulsionar a competitividade e inovação nos setores industriais prioritários e facilitar o alcance das seis missões; 05) Sustentabilidade ambiental e alinhamento com o Plano de Transição Ecológica (PTE): alinhar o desenvolvimento e implementação de IA com os compromissos ambientais do Brasil e o Plano de Transição Ecológica; 06) Valorização da diversidade: assegurar que a diversidade étnica e cultural brasileira seja refletida no desenvolvimento de modelos e soluções de IA, evitando preconceitos e discriminações; 07) Cooperação internacional: buscar parcerias internacionais em bases justas e mutuamente benéficas para o avanço da IA; 08) Ética e responsabilidade no uso da IA: priorizar o desenvolvimento e uso ético e responsável da IA, respeitando direitos individuais, privacidade e valores democráticos, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD); 09) Governança participativa: promover a colaboração entre Estado, academia, setor privado e sociedade civil no desenho, execução, acompanhamento e avaliação do PBIA; e 10) Flexibilidade e adaptabilidade: manter o PBIA flexível para ajustes conforme a evolução da tecnologia, necessidades nacionais e resultados das ações implementadas. Estas premissas fundamentam o objetivo central do PBIA: Promover o desenvolvimento, a disponibilização e o uso da inteligência artificial no Brasil, orientada à solução dos grandes desafios nacionais, sociais, econômicos, ambientais e culturais, de forma a garantir a segurança e os direitos individuais e coletivos, a inclusão social, a defesa da democracia, a integridade da informação, a proteção do trabalho e dos trabalhadores, a soberania nacional e o desenvolvimento econômico sustentável da nação. [PAGE 32] 30 3.2. Montante de Investimentos Para o alcance desse objetivo, o PBIA propõe uma abordagem dual, combinando ações de impacto imediato, orientadas a desafios específicos e com potencial de trazer benefícios significativos à população brasileira no curto prazo, com ações estruturantes de médio a longo prazo, que criam capacidades e capacitações para preencher lacunas para o desenvolvimento sustentável da IA no Brasil. A Tabela 2 detalha os R$ 23,03 bilhões de investimentos previstos no período 2024 a 2028 pelo PBIA para as ações de impacto (1,9% do total de investimentos) e cada um dos cinco eixos estruturantes (ver seção 4.4. para detalhamento): (1 ) Infraestrutura e Desenvolvimento de IA (25,2%); (2) Difusão, Formação e Capacitação (5,0%); (3) IA para Melhoria dos Serviços Públicos (7,6%); (3) IA para Inovação Empresarial (59,9%); e (5) Apoio ao Processo Regulatório de Governança da IA (0,4%). Com 98% dos investimentos previstos, as ações estruturantes – para consolidação e criação de capacidades e capacitações em IA – formam o cerne do PBIA. Tabela 2 – Investimentos do PBIA Investimentos 2024-28 Ações de impacto imediato R$ 435,04 milhões Infraestrutura e Desenvolvimento de IA R$ 5,79 bilhões Difusão, Formação e Capacitação em IA R$ 1,15 bilhões IA para Melhoria dos Serviços Públicos R$ 1,76 bilhão IA para Inovação Empresarial R$ 13,79 bilhões Apoio ao Processo Regulatório e de Governança da IA R$ 103,25 milhões Total R$ 23,03 bilhões Fonte: Elaboração própria 3.3. Ações de impacto imediato O primeiro grupo de ações do PBIA é voltado para a resolução de desafios específicos e com potencial de trazer benefícios significativos à população brasileira. As ações de impacto imediato são iniciativas em curso ou a serem lançadas no curtíssimo prazo para resolver problemas bem definidos, utilizando ferramentas de inteligência artificial já desenvolvidas (incluindo modelos comerciais adaptados ao contexto brasileiro de uso) ou em estágio avançado de desenvolvimento. Focadas em áreas prioritárias, essas ações visam a demonstrar o potencial transformador da IA por meio de melhorias concretas e mensuráveis na vida dos cidadãos, com resultados muitas vezes já aferíveis em até 12 meses. Ao abordarem problemas urgentes e relevantes, essas ações testam soluções imediatas, ao mesmo tempo em que também estabelecem bases de aprendizagem para futuras expansões e replicações de iniciativas bem-sucedidas. Para garantir sua eficácia e alinhamento com os objetivos do PBIA, as ações de impacto imediato são caracterizadas pelos seguintes atributos essenciais: • Foco em problemas específicos: cada ação aborda um problema bem definido e delimitado, evitando escopo demasiadamente amplo. O foco em gargalos específicos em uma área [PAGE 33] IA para o bem de todos Plano Brasileiro de Inteligência Artificial 31 Plano de ação prioritária permite uma abordagem mais eficaz e direcionada, aumentando as chances de sucesso e facilitando a mensuração dos resultados; • Uso de tecnologias desenvolvidas e base de dados existentes: as ferramentas de IA utilizadas já estão em grau avançado de desenvolvimento ou são tecnologias (proprietárias) comercializadas no mercado, adaptadas ao contexto brasileiro. As ações buscam fazer uso eficiente de bases de dados disponíveis, contemplando a qualidade e adequação dos dados, bem como aspectos como privacidade, segurança e mitigação de potenciais vieses; • Resultados rápidos, mensuráveis e significativos: as ações apresentam o potencial de gerar benefícios tangíveis e mensuráveis em um prazo relativamente curto, idealmente dentro de um ano; • Metas e métricas de impacto claras: são estabelecidos indicadores precisos para monitorar o progresso e avaliar os resultados da ação, como métricas de saída, resultado e impacto social, permitindo uma avaliação objetiva do sucesso da iniciativa; • Potencial de expansão, replicação e sustentabilidade: as ações são projetadas com potencial de escalabilidade e replicação em outros contextos. Além disso, considera-se a sustentabilidade financeira da iniciativa no longo prazo, incluindo possibilidades de autossustentação futura; e • Engajamento e benefício direto da população-alvo: as ações trazem impacto positivo direto na vida dos cidadãos afetados pelo problema em questão, e sempre que possível envolvem diretamente a população-alvo no processo, coletando feedbacks e garantindo que a solução atenda às suas necessidades reais. As ações de impacto do PBIA abrangem uma ampla gama de setores críticos para o desenvolvimento e bem- estar do Brasil. Estas ações demonstram o potencial transformador da IA em diversos setores, buscando soluções inovadoras para desafios prementes da sociedade brasileira. As ações se dividem em nove áreas: • Saúde • Agricultura e pecuária • Meio ambiente, clima e sustentabilidade • Indústria, comércio e serviços • Educação • Desenvolvimento social • Gestão de serviços públicos • Trabalho e emprego • Defesa, segurança pública e cibernética As ações de impacto imediato estão detalhadas no Anexo 1 e estão distribuídas em 3 tipos: (1 ) Ações de impacto - Novas, (2) Ações de impacto apoiadas pela Finep (em andamento); e (3) Ações de impacto aguardando definição de fonte orçamentária.

Programas:

Programa de Apoio ao Aperfeiçoamento do Marco Regulatório para IA

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Programa de Apoio à Governança da IA

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Ver detalhes do eixo